Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) – Desiderio Bispo de Melo

FACULDADES INTEGRADAS OLGA METTIG

CENTRO DE ESTUDOS DE PÓS-GRADUAÇÃO

CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM MUSICOTERAPIA

COORDENADOR(A): PROFA. MS. MARIANA CARIBÉ MAZZEI


DESIDERIO BISPO DE MELO


A MUSICOTERAPIA AUXILIANDO NA REABILITAÇÃO DE PACIENTES COM DEFICIÊNCIA NEUROMOTORA: UM RELATO DA EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO NO CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM MUSICOTERAPIA DA FAMETTIG

 


Salvador – BA

SET/2010

 

DESIDERIO BISPO DE MELO


A MUSICOTERAPIA AUXILIANDO NA REABILITAÇÃO DE PACIENTES COM DEFICIÊNCIA NEUROMOTORA: UM RELATO DA EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO NO CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM MUSICOTERAPIA DA FAMETTIG


Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) elaborado

como requisito parcial para conclusão do Curso

de Pós-Graduação em Musicoterapia oferecido

pelo Centro de Estudos de Pós-Graduação das

Faculdades Integradas Olga Mettig (FAMETTIG).

 

 

Aluno(a) – Desiderio Bispo de Melo

Orientador(a)Profa. Dra. Zuraida Abud Bastião


Avaliação/conceito atribuído

ao trabalho: ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­____________

 

A musicoterapia auxiliando na reabilitação de pacientes com deficiência neuromotoras: um relato da experiência de estágio no curso de Especialização em Musicoterapia da Famettig

 


Music therapy helping to rehabilitate patients with neuromotor disabilities: a report of internship experience in a specialization course in Music Therapy Famettig

 

 

Desiderio Bispo de Melo

desiderio@bol.com.br

Resumo: Pretende-se demonstrar com esse trabalho que é possível reabilitar pessoas portadoras de doenças neuromotoras utilizando as técnicas de musicoterapia adequada ao paciente, ou pelo menos, melhorar, em muito, a sua qualidade de vida. A partir das observações feitas durante estágio de conclusão do curso de Pós-Graduação em Musicoterapia da Famettig, da leitura de trabalhos específicos, em especial os de Mark Bear sobre neurociências foi possível constatar o poder terapêutico e a eficácia da música e de seus elementos no auxílio e reabilitação de pessoas. A musicoterapia pode reduzir, e até curar, as conseqüências do acidente vascular cerebral e as doenças degenerativas, sejam elas relativas à fala, memória ou motora. Espera-se que o presente artigo possa contribuir para pesquisas, debates e práticas da musicoterapia e, principalmente, para aqueles que buscam ajudar as pessoas portadoras de doenças neuromotoras com o emprego da musicoterapia.

 

Palavras chaves: doenças neuromotoras, musicoterapia, reabilitação

Abstract: We intend to show with this work that it is possible to rehabilitate people with neuromotor diseases using the techniques of music therapy appropriate to the patient, or at least improve, much to their quality of life. From the observations made during the completion stage of the Postgraduate Course in Music Therapy Famettig, the reading of specific works, particularly those of Mark Bear on neuroscience, we determined the efficacy and therapeutic power of music and its elements in aid and rehabilitation of people. Music therapy can reduce and even cure the consequences of stroke and degenerative diseases, whether they are related to speech, memory or motor function. It is hoped that this article will contribute to research, debate and practice of music therapy, and especially for those who seek to help people with neuromotor diseases with the use of music therapy.

Keywords: neuromotor diseases, music therapy, rehabilitation

Introdução

O presente trabalho apresenta algumas reflexões acerca dos pacientes portadores de doenças neuromusculares causadas por distúrbios do Sistema Nervoso Central – SNC, ao passo que discute o papel da musicoterapia no processo e melhoria da qualidade de vida destas pessoas. Para ilustrar essas reflexões, foram recolhidas observações provenientes do estágio de conclusão do curso de Especialização em Musicoterapia das Faculdades Integradas Olga Mettig – FAMETTIG. Serviram de referencial teórico para este trabalho as pesquisas de Mark F. Bear, além de pesquisas de outros autores que tratam do tema em questão. Acredita-se que a atividade mediada pelo musicoterapeuta credenciado pode reduzir, e até curar, as conseqüências, do acidente vascular cerebral e das doenças degenerativas, sejam elas relativas à fala, a memória ou a atividade motora.

Foram registradas neste estudo as observações feitas durante estágio e a análise das conseqüências do emprego das técnicas da musicoterapia por profissional formado e capacitado para atuar com pacientes portadores de doenças neurológicas. Demonstrou-se, desse modo, a capacidade da musicoterapia na solução de problemas de locomoção, da fala e da memória, identificando suas principais causas e contribuindo na melhora da qualidade de vida desses pacientes. Especificamente pretende-se demonstrar que o emprego correto das técnicas específicas para pacientes com doenças neurológicas nas sessões de musicoterapia trazem resultados satisfatório.

Como propósito espera-se ampliar o debate sobre a utilização da música como terapia e parte da constituição do ser humano. Estudos científicos desenvolvidos por neurocientistas, psicólogos da música, musicoterapeutas e outros estudiosos do tema têm evidenciado isto de modo incontestável, o que se viu reforçado pelos resultados observados nos pacientes durante o estágio.  Dito de outra forma, a musicoterapia é o diapasão que afina a música interna do ser. Assim, espera-se que este trabalho contribua tanto na pesquisa quanto no debate e no uso da musicoterapia para a melhoria da qualidade de vida dos portadores de doenças neurológicas.

 

Estrutura e funcionamento do sistema nervoso


Inicialmente, consideramos importante alertar ao leitor interessado que este não é um trabalho sobre doenças neurológicas, e sim, um artigo que se propõe a divulgar a importância da musicoterapia como alternativa no tratamento e na recuperação de pacientes portadores de distúrbios neurológicos. Portanto, nos limitamos a explicitar os efeitos das doenças neurológicas nos pacientes, mas não buscamos aqui, explicar suas causas ou conceitos, bastando apenas citá-las para efeito pedagógico. A ênfase é dada para o funcionamento do Sistema nervoso Central, objeto de estudo da neurociência, o que implica no caráter interdisciplinar deste trabalho. A revisão bibliográfica se baseou, essencialmente, no livro Neurociências: desvendando o sistema nervoso” do autor Mark Bear (2002). O autor explicita, detalhadamente, a estrutura e funcionamento do sistema nervoso:

Observando a estrutura do sistema nervoso, percebemos que eles têm partes situadas dentro do cérebro e da coluna vertebral e outras distribuídas por todo corpo. As primeiras recebem o nome coletivo de sistema nervoso central (SNC), e as últimas de sistema nervoso periférico (SNP). É no sistema nervoso central que está a grande maioria das células nervosas, seus prolongamentos e os contatos que fazem entre si. No sistema nervoso periférico estão relativamente poucas células, mas um grande número de prolongamentos chamados fibras nervosas, agrupados em filetes alongados chamados nervos.

Os nervos (conjunto de neurônios) podem ser divididos em nervos que levam informação para o SNC e nervos que levam informação do SNC. Os primeiros são chamados fibras aferentes e os últimos de fibras eferentes. As fibras aferentes enviam sinais dos receptores (células que respondem ao estímulo sensorial nos olhos, ouvidos, pele, nariz, músculos, articulações) para o SNC. As fibras eferentes enviam sinais do SNC para os músculos e as glândulas.

Os neurônios são formados por três partes: a soma, os axônios e os dendritos. A parte central, corpo celular ou soma, contém o núcleo celular. Pode-se observar que a soma possui grande número de prolongamentos, ramificando-se múltiplas vezes como pequenos arbustos, são os dendritos. É através dos dendritos que cada neurônio recebe as informações provenientes dos demais neurônios a que se associa. O grande número de neurônios é útil a célula nervosa, pois permite multiplicar a área disponível para receber as informações aferentes. Saindo da soma também, existe um filamento mais longo e fino, ramificando-se pouco no trajeto e muito na sua porção terminal, é o axônio. Cada neurônio tem um único axônio, e é por ele que saem as informações eferentes dirigidas às outras células de um circuito neural.

A região de contato entre um terminal de fibra nervosa e um dendrito ou o corpo (mais raramente um outro axônio) de uma segunda célula, chama-se sinapse, e constitui uma região especializada fundamental para o processamento da informação pelo sistema nervoso. Na sinapse, nem sempre, os sinais elétricos passam sem alteração, podem ser bloqueados parcial ou completamente, ou então multiplicados. Logo, não ocorre apenas uma transmissão da informação, mas uma transformação durante a passagem.

A transmissão sináptica pode ser química ou elétrica. Na sinapse elétrica, as correntes iônicas passam diretamente pelas junções comunicantes (região de aproximação entre duas células) para as outras células. A transmissão é ultra-rápida, já que o sinal passa praticamente inalterado de uma célula para outra. Na sinapse química, a transmissão do sinal através da fenda sináptica (região de aproximação entre duas células, bem maior que as junções comunicantes) é feita através de neurotransmissores. A sinapse química pode ser exitatória, quando ocorre um aumento no estímulo recebido pelo neurônio pós-sináptico, ou inibitória, quando ocorre uma diminuição do estímulo no neurônio pós-sináptico. São essas transformações ocorridas durante a sinapse que garantem ao sistema nervoso a sua enorme diversidade e capacidade de processamento de informação.

Uma das melhores maneiras de perceber a influência dos neurotransmissores na cognição é observando a quantidade de drogas cujo efeito provem da modificação da atividade dos neurotransmissores, como a nicotina. (BEAR, 2002, p. 237)

O mau funcionamento do SNC pode acarretar em distúrbios da fala e da compreensão como os causados por acidentes vasculares cerebrais em sua fase aguda. A afasia motora e não fluente, também conhecida como afasia de Broca, foi identificada em 1861 pelo neurologista francês Paul Broca.

Ainda segundo Bear (2002, p. 243), existem outros distúrbios catalogados por neurologistas. Lista-se aqui um pequeno grupo deles:

  • Alexia: inabilidade adquirida de compreender a linguagem escrita.
  • Agrafia: inabilidade adquirida de produzir linguagem escrita apesar da presença da linguagem oral, da leitura e de controle de movimentos normal
  • Apraxia: inabilidade de ter movimentos propositais apesar da compreensão normal das instruções, da força, do reflexo e da coordenação normais.
  • Agnosia visual: perda da habilidade de reconhecer ou identificar a presença de objetos, apesar nas funções visuais estarem intactas. Uma forma específica da agnosia visual foi registrada como propagnosia, inabilidade de reconhecer faces.
  • Síndrome da negligência: a tendência a ignorar coisas numa região particular do espaço ignorando o módulo sensorial responsável pelos estímulos provenientes daquela região. Pacientes com uma forma dessa síndrome chamada síndrome da negligência unilateral ignoram as informações provenientes do lado esquerdo ou direito do corpo e podem até esquecer de barbear essa parte do rosto ou de vestir esse lado do corpo.

Durante o estágio realizado na Associação Multidisciplinar de Atendimento terapêutico – AMAT, conseguimos identificar, em alguns pacientes, a presença de mais de um desses distúrbios com os seus sintomas característicos.

 

O estágio na AMAT


A AMAT atende pacientes portadores de patologias diversas. Para efeito do trabalho escolhemos acompanhar três portadores de distúrbios neurológicos: M., uma menina de 10 anos de idade, com diagnóstico de ataxia celebelar, perda da coordenação motora progressiva e comprometimento da fala, causados por doença degenerativa, secundária a um tumor retirado nos primeiros meses de vida, redução do tônus e debilidade na coordenação motora; Sr. Paulo, 53 anos, afásico com agnosia secundária, AVC isquêmico, com debilidade na coordenação motora; Mario, um jovem de 30 anos diagnosticado com doença degenerativa, proveniente de otite mal curada (suspeita-se), ataxia celebelar, não deambulava, não andava e não sentava.

Nas sessões foram observados procedimentos e técnicas de musicoterapia, também foram feitas fichas individuais dos pacientes, ficha musicoterápica e ficha de acompanhamento das sessões. Por se tratar de pacientes com distúrbios neuromusculares e até com membros inferiores comprometidos, muitas das técnicas empregadas tinham como objetivo trabalhar a coordenação motora do paciente e seu tônus muscular. Já a memória do paciente foi trabalhada a partir da execução e audição de canções que remetessem às suas lembranças.

Os pacientes interagiam cantando, acompanhando as músicas com instrumentos de percussão ou fazendo movimentos com os pés para marcar o ritmo. Neste relatório destacamos aquelas sessões de um total de quinze que fizeram parte do estágio. Escolhemos aquelas em que, além da repetição de técnicas anteriores, foram acrescentadas novas técnicas descritas a seguir.

A primeira sessão aconteceu em 22 de abril de 2010, com duração de cerca de uma hora. A paciente, identificada como M., 10 anos de idade, com ataxia celebelar, não andava, falava com dificuldade, conseguia movimentar os membros superiores e aparentava bom humor.

Nossa presença (a minha e da estagiária Dulce) parecia chamar a atenção de M, que se mostrou bastante curiosa. O musicoterapeuta Warterlin confirmou que ela realmente era bastante curiosa. Iniciou-se a sessão com exercícios de alongamentos da cabeça, pescoço e membros superiores, tocando no teclado uma canção infantil do folclore brasileiro. M. acompanhou com um pequeno pandeiro; seus movimentos eram lentos e cadenciados.

Durante esta sessão observamos que o musicoterapeuta desenvolveu exercícios que combinavam canções simples com no máximo duas notas e melodia suave. As letras dessas canções traziam o nome da paciente no final, que era repetido por ela. Assim, M. articulava o próprio nome. Os exercícios foram conduzidos no teclado. A segunda sessão aconteceu numa segunda-feira, com inicio às 09hs:30min e término às 10hs:25 min. Nessa oportunidade o paciente observado foi Maxinaldo, um jovem de 20 anos, também portador de ataxia celebelar, ele foi trazido a AMAT pela genitora que percebeu que o filho apresentava resistência à fonoaudiologia, já estando na musicoterapia há quatro anos. Na sessão foram observadas técnicas que utilizaram a voz e o corpo do paciente, foram utilizados como instrumentos acessórios o teclado, o pandeiro, a flauta e playback. Os exercícios iniciaram com uma canção em que a letra falava de raça e de não se entregar, o paciente acompanhava cantando, batendo o pé e a mão no mesmo ritmo. O objetivo desse exercício foi trabalhar a coordenação e a panturrilha. Em outro exercício, que tinha como objetivo trabalhar os membros superiores e inferiores e, também, a respiração, além da própria consciência corporal do paciente, o terapeuta utilizou o pandeiro para acelerar e desacelerar o ritmo e finalizou no teclado uma melodia suave para o relaxamento do paciente. Estes exercícios foram executados no solo. Ao final, foi utilizado um instrumento de percussão que reproduzia o som de uma cachoeira. Na terceira sessão, o paciente observado foi o Sr. Paulo, de 53 anos, funcionário de uma empresa estatal, vitima de acidente vascular cerebral. Já participando de sessões de musicoterapia por aproximadamente um (1) ano, com afasia e sem movimentos no lado direito do corpo. Tratava-se de um paciente que era assíduo às sessões. No inicio, o musicoterapeuta teve dificuldade para construir a sua identidade sonora (ISO), porém, a partir da história de vida do paciente, local de nascimento e ambiente de trabalho foi possível elaborar um repertorio próximo da sua realidade. Este repertório incluía músicas típicas do recôncavo, como cantigas de roda e samba, passando por canções de Caymmi e Luis Gonzaga. Na sessão o musicoterapeuta iniciou com exercício para cabeça e pescoço com uma música suave, enquanto o paciente acompanhava cantando e tocando pandeiro em um ritmo descontínuo. As músicas cantadas eram de conhecimento do paciente e foram repetidas com pouca variação no andamento. A música “Asa branca”, de Luis Gonzaga, foi utilizada para trabalhar as lembranças do paciente que, já apresentava evolução, pronunciando algumas palavras, cantava parte da letra e movimentava os braços quando tinha dificuldade para lembrar. Em outro exercício ele acompanhou a música “Perfídia” (tocada no teclado e play back) com o pandeiro e fez a marcação com o pé direito. Finalizando, o musicoterapeuta tocou na flauta uma música de Roberto Carlos – “Como é grande o meu amor” –, o paciente ia lembrando e acompanhando a melodia com a voz.

Buscamos neste estágio observar o emprego de técnicas e procedimentos adotados pelo musicoterapeuta Wartelin, e assim complementar os conhecimentos adquiridos durante a pós-graduação. Verificamos nessas sessões que alguns procedimentos se repetiam, como exercícios estruturantes, que tinham como principal função fortalecer os músculos, tônus e a coordenação motora do paciente. Outro aspecto muito importante, que mereceu uma atenção especial, foi o trabalho voltado para a reabilitação da memória do paciente.

Durante os exercícios o musicoterapeuta tocava sempre canções que remetiam às lembranças do paciente. Em uma dessas sessões ele executou no teclado uma canção de Roberto Carlos para um paciente com afasia de Broca. O paciente cantava junto com o musicoterapeuta, se expressando com o movimento do braço quando não conseguia pronunciar alguma palavra da canção.

Enfim, o estágio ampliou o nosso conhecimento teórico e prático, abrindo novas possibilidades de atuação e aumentando a nossa confiança para atuar profissionalmente.

Considerações finais

A musicoterapia utiliza-se da música e dos seus elementos para fins terapêuticos. Por meio de um musicoterapeuta credenciado que, após testes e entrevistas, identifica o comportamento sonoro do paciente, se estabelece um roteiro de sessões com metodologias e técnicas apropriadas para o paciente/cliente.

Os pacientes observados no estágio na AMAT, todos portadores de distúrbios neurológicos, passaram pelos processos citados acima e apresentaram evolução positiva na recuperação de funções cerebrais perdidas ou afetadas pelas doenças que comprometeram seu sistema nervoso central – SNC.

A recuperação ou melhora na qualidade de vida dos pacientes observados durante o estágio só foi possível devido à neuroplasticidade, capacidade exclusiva do SNC. O cérebro humano é capaz de auto modificar-se e reorganizar-se logo após um trauma psicológico. Esta mesma plasticidade desenvolve novas conexões que possibilitam ao paciente realizar tarefas antes impossíveis logo após o trauma neurológico.

Trata-se de voltar a desenvolver, o melhor possível, uma habilidade perdida, mediante a intensa e repetitiva experiência na área a ser trabalhada, reabilitando funções cognitivas alteradas devido a danos ocorridos no cérebro.

Conforme o exposto, confirmamos na prática aquilo que já se conhecia na teoria, graças aos ensinamentos dos mestres da Famettig, sempre entusiasmados e disponíveis para tirar as dúvidas advindas das leituras de textos e livros de autores consagrados na área da musicoterapia e da neurociência. A experiência no estágio se fez enriquecedora.

As técnicas da musicoterapia, seu foco terapêutico condicionado no desenvolvimento das habilidades compensatórias funcionais danificadas, e as restaurações delas, com o fim de compensar áreas perdidas; tudo isto foi perfeitamente observado; quando a música comove, as estruturas do “prêmio ou recompensa” se ativam.

Assim, considera-se que a música traz muitos benefícios para o paciente com lesão cerebral: estimula, acalma, predispõe a criatividade, desenvolve a imaginação e o pensamento e a eficiência de memória a largo prazo. Com isso, afirmamos que é possível melhorar a qualidade de vida das pessoas portadoras de distúrbios do SNC com o emprego da musicoterapia.

 

 

 

Referências

BEAR, Mark F.; CONNORS, BARRY, W.; PARADISO, Michael A. Neurociências: desvendando o sistema nervoso. 2. ed.  Porto Alegre: Artmed, 2002.

 

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