Bem Vindo ao Blog do Professordesiderio

terça-feira, 11 janeiro, 2011

 


Marcos Rodrigues: um professor”pra frente” lidera o momovimento negro na Bahia de 1932

sábado, 4 julho, 2020

       Neste período, os negros precisavam pedir autorização ao “chefe de Polícia” para manifestar-se culturalmente, fosse no culto ao Candomblé, na capoeira ou para desfilar com um Afoxé no carnaval. Não tinham acesso ao teatro, e a maioria se comunicava oralmente, não sabiam escrever e isto reforçava a mentalidade dominante. Teodoro (1996), nos chama atenção para a questão da “oralidade”, o qual recobre uma prática social brasileira. A antropologia denomina sociedades ágrafas aquelas que não utilizam a linguagem escrita. Trata-se  de culturas em que os sistema de informação e comunicação são essencialmente oral (falado). O termo oralidade, “com função negativamente classificatória”, remete, portanto, a ausência de escritura. Sustentada pelo omisso sistema educacional, é a oralidade que garante ao racismo brasileiro uma eficácia maior que a do sistema do “ apartheid”. Portanto, para aquele momento, alfabetizar é armar-se contra a “oralidade”, é com certeza uma estratégia percebida pela “Frente negra” como instrumento de combate na batalha ideológica.

 

Professor Marcos Rodrigues, um negro, que foi educado em Escola de Padres (Sociedade São Vicente de Paula da cidade Santo Antônio de Jesus na Bahia), e tinha a experiência de ter organizado a “Frente Negra” numa outra cidade, santos – SP, que tinha um movimento operário organizado. Sendo assim, acreditamos que a pessoa como o Professor Marcos Rodrigues, culto e conhecedor da história de seu país, ao se decidir pelo retorno à sua terra natal, a Bahia, sabia perfeitamente o que faria enfrentar para organizar o movimento. Em entrevista coletiva aos jornais da época, o Professor fala um pouco de sua história. Não será difícil para o pesquisador atento perceber a “consciência missionária” que orienta suas ações. Para nós, esse Professor tinha um compromisso político com o crescimento e a integração social de sua raça, porém suas convicções religiosas definiam a sua ideologia:

imagem do google

“Sou de Santo Antônio de Jesus” disse. Ali aprendi primeiras letras com a Profª Zizinha, que ainda vive, e o ofício de sapateiro. Mas não eram essas minhas aspirações. Por isso aos 14 anos vim aqui para a Capital. A vida foi difícil mas, sempre consegui trabalho. Pertencendo a Conferência de São Vicente de Paula pode ser adjunto de conferente das docas por pedido de D. Henriqueta Catharino, que o fez para atender ao Dr. Augusto Lopes Pontes. Desde então gostava de ensinar a ler aos que não sabiam, chegando a reger a Escola Noturna da Sociedade de São Vicente da Mouraria. Depois migrei. Fui alfabetizar em Salgueiro do Espinho, Verruga, Encruzilhada. Desci depois o Jequitinhonha, estive em Cachoeirinha, Canavieira e Belmonte, voltando a Capital em 1929. No ano seguinte casei-me. Vendo que ninguém é profeta em sua Terra migrei novamente. Fui pra São Paulo. Vicentino que eu sou, consegui empregar-me como fiscal de estrada de rodagem. Fundei uma Conferência de São Vicente e uma Escola em Cubatão.

Judeu errante sempre, fui depois para Santos, lecionando no Mosteiro de São Bento. Ali fundei a “Frente negra”, conseguindo alistar quatro mil negros. Em 1932 apertaram as saudades e vim para a mulata velha. (Diário da Bahia 26/04/33)

O termo “Judeu errante”, para nós, confirma a tese de que o Professor Marcos Rodrigues se percebe como um missionário, um cataquisador e defensor dos princípios cristãos e católicos. Deste modo, a alfabetização é percebida, pelo menos para uma das correntes da “Frente Negra”, como um caminho para libertação do Negro que tem como “gênesis” para sua condição social a ignorância e não o domínio de classes.

Ao ensinar ao negro a ler e escrever, e até mesmo uma profissão, a “Frente” espera em longo prazo estabelecer as condições necessárias para a transformação de sua realidade social. Ela toma para si um papel que deveria ser do Estado. No entanto, com sua atitude, ela denuncia a condição marginal dos negros nos anos 30, ao mesmo tempo em que expõe e coloca em cheque a chamada “democracia racial”. Rompe, desta maneira, com a situação de acomodação reinante entre negros e brancos que naquele momento tiveram que “negociar” suas diferenças.

veja artgo completo:

A Frente Negra da Bahia de 1932

https://professordesiderio.wordpress.com/meus-artigos/a-frente-negra-da-bahia-de-1932/

 

 


Revolta dos Piriquitos, história da Bahia

quinta-feira, 2 julho, 2020

Revolta dos Periquitos - Salvador, Bahia

O ASSASSINATO DO GOVERNADOR DAS ARMAS CORONEL FELISBERTO GOMES CALDEIRA PELOS AMOTINADOS, UM DOS MARCOS INICIAIS DA REVOLTA. IMAGEM TIRADA DO LIVRO “DA SEDIÇÃO DE 1798 À REVOLTA DE 1824 NA BAHIA”, DE LUIS HENRIQUE DIAS TAVARES

Após as lutas pela independência travadas na Bahia em 1823, foi preciso lidar com a situação dos negros que haviam participado da guerra e formado batalhões, pois muitos ainda não estavam na condição de libertos. Após negociações entre o governo central e os proprietários de escravos, muitos negros emancipados resolveram se manter na posição que ocupavam nestes batalhões, como era o caso de grande parte dos membros do Terceiro Batalhão de Caçadores do Exército, ou Batalhão dos Periquitos, como foram chamados devido à cor verde da farda.

Localizado em Salvador, o grupo fazia as elites temerem uma revolta, pois além das questões raciais havia também a desconfiança de que alguns membros eram republicanos e defensores da Confederação do Equador. O movimento de caráter emancipacionista e antimonárquico que juntava Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte havia sendo massacrado pelas forças imperiais no ano de 1824, e teve queda definitiva após a tomada de Recife iniciada em 12 de setembro.

A desconfiança das elites se concretizou em 21 de outubro de 1824, quando os Periquitos receberam a notícia de que seriam movidos para Pernambuco. Como se isso não bastasse, o Major José Antônio da Silva Castro, popular entre eles, teria que servir no Rio de Janeiro.

Os Periquitos foram responsáveis por mais de um mês de conflitos, de 21 de outubro até o início de dezembro. Tomaram a cidade de Salvador com violência e foram apoiados por outros batalhões de negros, assassinando o Governador das Armas coronel Felisberto Gomes Caldeira. Os alvos dos ataques eram os portugueses, os defensores da monarquia e até os comerciantes, afinal parte da população pobre se juntou ao grupo militar para saquear diversos estabelecimentos. É importante lembrar que Salvador, após os movimentos de independência, passa por uma grande crise econômica que se reflete na miséria e no desemprego, e este é o motivo desta revolta ser mais complexa do que as divergências políticas: pesava também a questão social.

Os grandes proprietários baianos se juntam com os portugueses para financiar a retomada da cidade de Salvador e após conflitos entre tropas e negociações entre os dois lados, os revoltados se rendem. O Batalhão é enviado a Pernambuco, livrando a elite baiana do perigo de outra revolta. Mas nem todos os membros têm a oportunidade de simplesmente servir em outra província: alguns são expulsos do Batalhão e dois líderes da revolta, o major Joaquim Sátiro da Cunha e o tenente do Quarto Batalhão (também conhecido como Batalhão dos Pitangas, com negros entre seus membros) Gaspar Lopes Vilas Boas são mortos após julgados por um conselho militar especial. Os processos que levaram aos assassinatos não foram escritos, se limitando a condenações verbais.

A vitória na repressão da Revolta dos Periquitos, acompanhada do enfraquecimento da Confederação do Equador, ajudou a consolidar o poder monárquico do Brasil imperial no ano de 1824.

É importante lembrar que o complexo processo de emancipação brasileiro passou por diversas batalhas regionais, que envolveram disputas sociais, militares e políticas que não se restringiram à Corte do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas. Tampouco se encerraram com o “grito do Ipiranga” em setembro de 1822.

Disputas importantes ocorreram em províncias mais afastadas, como a formação do popular Exército Libertador, o cerco às tropas portuguesas na Bahia em 1823 e, no mesmo ano, a batalha às margens do rio Jenipapo no Piauí, que juntou as forças locais às cearenses e maranhenses. No entanto, é apenas em 1825 e depois de muitas colisões entre os dois lados que Portugal finalmente reconhece a derrota por meio do Tratado de Paz, Amizade e Aliança.

imagem do google

BIBLIOGRAFIA

REIS, Arthur Ferreira. OS CORCUNDAS E OS PERIQUITOS: a visão áulica sobre a Revolta dos Periquitos na Bahia. Anais do VI Congresso Internacional Ufes/Paris-Est: Culturas Políticas e Conflitos Sociais, Espírito Santo, p.124-133, set. 2017. Disponível em: http://periodicos.ufes.br/UFESUPEM/article/view/18040. Acesso em: 18 set. 2019.

TAVARES, Luis Henrique Dias. Da Sedição de 1798 à Revolta de 1824 na Bahia. São Paulo: Unesp, 2003.


Duas mulheres uma só bandeira: a Liberdade

quarta-feira, 1 julho, 2020

Quase um século depois, moradores incluem nome de Maria Felipa entre os heróis

Guerreira negra itaparicana é um dos nomes mais citados pelos moradores da cidade como heroína da Independência

Não faz muito tempo que moradores de Itaparica recorreram a uma atitude, no mínimo, audaciosa: incluir o nome de Maria Felipa de Oliveira, considerada por muitos deles como a principal heroína da batalha local, numa lápide que já levava o nome de outros heróis. A homenagem foi instalada na parede da Capela da Piedade, em 1923.

“Nós tivemos a ousadia, tomamos a liberdade e contratamos um calígrafo que fez uma letra rigorosamente igual à que está lá e acrescentou o nome de Maria Felipa entre os nossos heróis”, confessa, aos risos, o pesquisador Augusto Albuquerque, morador de Itaparica.

É que a mulher negra, corpulenta e estabanada – descrição do historiador Ubaldo Osório – passou muito tempo esquecida, mas é especial para os itaparicanos. Não se sabe quando ela nasceu, mas seria natural do povoado de Ponta das Baleias e morrido em 1873.

Lápide com nome dos heróis foi colocada na Capela da Piedade em 1923, mas Maria Felipa só entrou recentemente (Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)

“A professora Eny Kleyde Vasconcelos localizou a figura histórica de Maria Felipa de Oliveira. O que não está documentado são os feitos atribuídos a ela”, afirma o historiador Milton Moura, que defende que a memória seja considerada.

São justamente os feitos que fazem de Maria Felipa uma das heroínas do povo. Ela teria comandado um grupo de cerca de 40 mulheres para, primeiro, seduzir os portugueses e, depois, atear fogo às embarcações deles. A ela também é atribuída uma famosa surra de cansanção nos soldados portugueses.

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O feito teria ocorrido na Praia do Convento, cuja localização exata não é conhecida, mas acredita-se que seja próximo ao local onde funcionou, até a década de 1940, a casa de veraneio do Instituto Feminino da Bahia. A suposição é de Augusto Albuquerque, levando-se em conta que, de frente para a praia, fica uma propriedade que havia sido adquirida junto a padres jesuítas.

“Há 14 anos, ainda existiam seis palmeiras imperiais aqui na frente, hoje restaram duas. Eu acredito que a praia do Convento seja aqui porque palmeiras imperiais não eram colocadas em centros de poder, propriedades religiosas, e aqui não havia nenhum outro convento. Creio que essa seja a referência”, diz, apontando para um verdadeiro paraíso na ilha.

Também não há certeza sobre os traços físicos de Maria Felipa. A imagem pintada em paredes e estampada em livros é da perita técnica Filomena Modesto Orge, do Instituto de Criminalística Afrânio Peixoto, ligado ao Departamento de Polícia Técnica da Bahia (DPT).

“O retrato de Maria Felipa de Oliveira foi construído com subsídios históricos, literários e da tradição oral, para dar a esta personagem um rosto, e que assim possa ser identificada e lembrada como a Heroína Negra da Independência da Bahia”, escreveu a perita, em artigo de 2005. Ela aponta, por exemplo, que uma mulher capaz de dar uma surra em um homem deveria ser forte, alta.

Há pelo menos duas associações dedicadas à memória dela: uma em Salvador e outra em Itaparica.

Fonte: Por Clarissa Pacheco, do Correio 24h

Maria Quitéria

 

BIOGRAFIA

A jovem Maria Quitéria juntou-se às tropas que lutavam contra os portugueses em 1822. Ela utilizou o nome de seu cunhado, ficando conhecida como soldado Medeiros, já que somente homens faziam parte do Exército.

Semanas depois de entrar para o Exército, Maria Quitéria teve sua identidade revelada. No entanto, o major Silva e Castro não permitiu que ela saísse das tropas, já que era importante para a luta contra os portugueses por sua facilidade com o manejo de armas e sua disciplina em batalha.

Vida pessoal

Maria Quitéria nasceu em 1792, em uma fazenda localizada na então freguesia de São José de Itapororocas, local onde hoje fica a cidade de Feira de Santana, na Bahia.

Aos 10 anos, Maria Quitéria perdeu a mãe e ficou responsável por cuidar de suas irmãs. Seu pai casou-se mais duas vezes. A jovem teve uma relação conturbada com sua segunda madrasta, já que ela não aceitava o jeito independente de Quitéria.

Maria Quitéria não tinha formação escolar, mas era experiente na caça e na pesca, assim como no manejo de armas. Diferente das moças de sua época, ela era independente e contrariava os padrões da sociedade.

De soldado Medeiros a cadete Maria Quitéria

Em 1822, o Conselho Interino do Governo da Bahia passou a recrutar voluntários para as lutas de apoio à Independência. Maria Quitéria interessou-se pela proposta e pediu ao seu pai permissão para se alistar, mas foi proibida por ele.

Decidida a lutar pela Independência, Maria Quitéria contou com a ajuda de sua irmã, Tereza Maria, e seu cunhado, José Cordeiro de Medeiros. Ela pegou o uniforme do cunhado emprestado, cortou seus cabelos e apresentou-se como homem ao Exército.

Como soldado Medeiros, Quitéria juntou-se ao batalhão “Voluntários do Príncipe Dom Pedro”.

O pai de Maria Quitéria procurou o batalhão e contou que ela era mulher. Como ela já era reconhecida por seus esforços, disciplina e facilidade com as armas, o major não permitiu que ela fosse desligada do Exército.

Após adotar seu nome verdadeiro, Maria Quitéria trocou o uniforme masculino por saias e adereços. Sua coragem em ingressar em um meio masculino chamou a atenção de outras mulheres, as quais passaram a juntar-se às tropas e formaram um grupo comandado por Quitéria.

Quitéria participou de vários combates com o batalhão, entre os quais estiveram a defesa da Ilha da Maré, da Barra do Paraguaçu, de Itapuã e da Pituba.

Depois da declaração da Independência, as tropas portuguesas permaneceram combatendo no Brasil. Maria Quitéria, mais uma vez, destacou-se ao guerrear com as mulheres de seu grupo, na foz do rio Paraguaçu, na Bahia.

Com a derrota das tropas portuguesas, em julho de 1823, Maria Quitéria foi promovida a cadete e reconhecida como heroína da Independência. Dom Pedro I deu a ela o título de “Cavaleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro”.

Fim da carreira militar

Após o fim das guerras pela Independência, Maria Quitéria decidiu retornar à região onde morava. Dom Pedro I escreveu uma carta ao pai dela reconhecendo sua importância para o Brasil e pedindo que ela fosse perdoada por fugir de casa.

Posteriormente, Maria Quitéria casou-se com o lavrador Gabriel Pereira de Brito. Ela teve uma filha, Luísa Maria da Conceição. Ao ficar viúva, Quitéria mudou-se para Feira de Santana para tentar receber parte da herança deixada por seu pai, em 1834, mas desistiu e foi para Salvador.

Foi em Salvador que Maria Quitéria faleceu, em 21 de agosto de 1853, no anonimato. Ela foi sepultada na Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento no bairro de Nazaré, na capital baiana.

Homenagens

Maria Quitéria tornou-se símbolo da emancipação feminina e exemplo para mulheres de todo o país.

A heroína da Independência foi condecorada patrona do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro. Em 1953, no aniversário de 100 anos de sua morte, o governo brasileiro decretou que seu retrato estivesse presente em todos as repartições e unidades do Exército.

Por Lorraine Vilela
Jornalista

Maria Quitéria foi a primeira mulher no Exército Brasileiro e tornou-se a heroína da Independência
Maria Quitéria foi a primeira mulher no Exército Brasileiro e tornou-se a heroína da Independência

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

CAMPOS, Lorraine Vilela. “Maria Quitéria”; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/biografia/maria-quiteria.htm. Acesso em 01 de julho de 2020.

Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/biografia/maria-quiteria.htm

 


Quem conspira?

terça-feira, 30 junho, 2020

Jornal do Brasil

Não foram poucas as ocasiões em que, neste fim de semestre, levantaram-se vozes para sugerir, denunciar ou simplesmente insinuar a existência de planos capazes de arrastar o país a um clima de insegurança e, decorrentemente, tornar fácil precipitá-lo ao estado de exceção. Há quem estaria pensando nisso, tanto nas hostes do governo como nas da oposição; estas, dizendo-se mais preocupadas, invocam responsabilidade pessoal do presidente da República, intolerante e irritadiço frente às regras vigentes.

Suspeitas em mãos duplas. Da mesma forma como é acusado de estar levando o Brasil ao impasse, e disso extrair poderes ditatoriais, Bolsonaro insiste em creditar o plano aos opositores, encontradiços nos três poderes: num primeiro passo, construir dificuldades para o mínimo de governabilidade. Mas, venham de onde vierem, os que se revelam porta-vozes de tão grave preocupação têm dever de mostrar à nação onde estão e como prosperam os focos golpistas. De tal forma, que se dê às instituições e à sociedade organizada um norte, um rumo para combater a insídia, se é que ela não se fecundou totalmente; quando ainda é possível extrair o ovo da serpente com os bisturis da legalidade. Não denunciar o mal que estaria por vir é o mesmo que coonestar. Ou não é isso que a política tem ensinado ao longo da História?

Então, cabe perguntar aos que dizem saber das coisas: quem anda arquitetando essa nova ofensa à democracia? Quais os responsáveis? Em que covil estarão se escondendo os conspiradores, maus brasileiros devotados à causa do quanto pior, melhor? A quem, afinal, cobrar explicações, se preocupações desse tipo não podem ficar embutidas?, como se admissível fosse condenar o brasileiro ao destino de gado de corte, que só se dá conta da tragédia quando se vê no matadouro.

Questão a ser desanuviada é saber logo – na linha das suposições mais graves – se prospera das hostes governistas e do gabinete de Bolsonaro a ideia de se criar clima de artificialidades; antes de todos, saber do presidente, mais que dos colaboradores militares, porque se o ministério é hoje um colegiado de militares, aos quais em primeiro lugar se buscaria apoio para as derrubadas, suicídio político seria cobrar deles, mesmo que nesse governo, onde trocam-se ministros “antes e após as refeições”, nem faltariam ressurgentes para o papel de pacificadores nas guerras que eles próprios criam.

Quando se vive num país desassossegado, onde faltam razões que contribuam para descortinar horizontes, o que menos se deseja é a intranquilidade frente a rumores; desses rumores que são mais perigosos quando não há quem os desminta nem gente suficientemente credenciada e responsável para garantir que os riscos existem numa convulsão de laboratório, onde são elaboradas, num primeiro estágio, as dificuldades de convivência entre os poderes; dificuldades artificiais num primeiro estágio, e depois manobradas de acordo com conveniências.

Não seria a primeira vez que setores responsáveis (sic) estariam empenhados nesse estado de coisa. Gabinetes do entardecer do Império viveram casos desse tipo, quando a chegada da República já não era mais o temor fugaz, mas a realidade que batia à porta da Quinta da Boa Vista. Arquitetavam-se crises e conspirações artificiais com o fim de explicar medidas apressadas, quase sempre ilegais ou amorais. Na República um caso semelhante ficou conhecido como Plano (Bela) Cohen, que em 1937 simulava sublevação comuno-integralista, abortado, não sem antes inspirar os horrores que viriam depois com o Estado Novo. O general Mourão Filho, capitão na época, ficou com a pecha da paternidade dessa conspiração e autor do documento que tentava explicá-la. Certo dia, em conversa com políticos de Juiz de Fora (eu presente, assistindo), dizia ele que levaria para o túmulo a dor de uma culpa que não teve. Mas a versão ficou.

Episódio parecido, igualmente fracassado, estava reservado para 1959, no governo Juscelino. Pretendiam tradicionais conspiradores, com apoio ou com o silêncio de grupos ligados ao presidente, que uma crescente subversão ameaçava de tal forma a tranquilidade, que o estado de sítio fazia-se recomendável.

Hoje, como no passado, temores de agressão à Constituição só se desfazem quando se escancaram os autores, são arrancados de suas tocas e a tempo desmascarados. É o que se fez no passado, é o que precisamos fazer agora.


Grupo de Trabalho da OAB apresenta parecer jurídico sobre PEC que adia as eleições municipais

segunda-feira, 29 junho, 2020
  
O Grupo de Trabalho para Análise dos Impactos da Pandemia do Covid-19 nas Eleições Municipais de 2020 da OAB Nacional apresentou, nesta sexta-feira (26), um parecer jurídico sobre a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 18/2020, que trata do adiamento do pleito e de outras medidas de adequação das eleições em razão da pandemia do novo coronavírus. O texto já foi aprovado pelo Senado Federal, mas ainda depende de análise na Câmara dos Deputados.

A PEC estabelece a modificação da data das eleições para o dia 15 de novembro, em primeiro turno, e para o dia 29 de novembro de 2020, em segundo turno, com alteração de datas específicas de todo o processo eleitoral. Além disso, a proposta também prevê que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tenha competência normativa para regular as questões operacionais relacionadas ao pleito, além de adaptar suas próprias resoluções às novas previsões constitucionais.

Diante disso, o grupo de trabalho analisou a proposta e emitiu parecer considerando o texto que foi aprovado no Senado, apenas sobre a matéria relacionada à alteração da data das eleições, aos limites impostos pelas cláusulas pétreas e pelo princípio da anualidade eleitoral e a possibilidade de delegação de competências ao Tribunal Superior Eleitoral, sem entrar no exame detalhado da constitucionalidade, ou não, de cada um dos artigos aprovados pelo Senado Federal que ainda dependem da manifestação da Câmara dos Deputados.

O parecer aponta conclusões importantes acerca do texto em tramitação no Congresso Nacional. O grupo de trabalho entende que as eleições previstas para outubro devem ser realizadas em 2020, não sendo admissível a prorrogação dos mandatos atuais. Além disso, os especialistas alegam que a postergação do pleito, com data certa e definida, dentro do exercício de 2020, não é inconstitucional. Por fim, o grupo de trabalho aponta que, independentemente do momento em que se realizarem as eleições, as medidas de proteção à saúde, diante da pandemia do Covid-19, devem ser adotadas pela Justiça Eleitoral a partir do consenso possível entre os profissionais da área da saúde, os técnicos da Justiça Eleitoral e os operadores do direito.

“Por força do direito fundamental de proteção à saúde e à vida, o princípio da precaução recomenda o adiamento das eleições previstas para outubro, com data certa e definida, até o final de 2020. As manifestações de infectologistas e demais especialistas no Congresso Nacional e no TSE, apresentam critérios científicos que revelam a constitucionalidade da proposta de adiamento, garantindo-se, ao mesmo tempo, o exercício livre do voto, direto secreto, universal e periódico”, afirma a coordenadora do Grupo de Trabalho, Luciana Nepomuceno.

Ela explica ainda os demais pontos destacados pelos especialistas no parecer. “De outro lado, a ampliação dos mandatos em curso viola a cláusula pétrea que garante a periodicidade do voto (art. 60, §4º, II da CR/88) e a implementação de medida que busque a unificação das eleições, além de inconstitucional, reduz a qualidade da democracia brasileira, suprimindo do eleitor parcela relevante de sua participação política. Diante do quadro emergencial da saúde pública, o afastamento do princípio da anualidade, na proposta que aguarda aprovação da Câmara, garante o exercício dos direitos políticos e visa proteger e permitir o exercício do voto direto, secreto, universal e periódico. Nessa medida, não viola o art. 60, §4º IV da Constituição da República. Finalmente, é relevante e constitucional a previsão de competência normativa para que o Tribunal Superior Eleitoral possa regular as questões operacionais relacionadas ao pleito além de adaptar suas próprias resoluções às novas previsões constitucionais trazidas pela emenda ora em debate”, encerra Luciana Nepomuceno.

Confira aqui a íntegra do parecer do Grupo de Trabalho para Análise dos Impactos da Pandemia do Covid-19 nas Eleições Municipais de 2020

Fonte: OAB BR


Crônicas de São Pedro

sábado, 27 junho, 2020
São Pedro, a criada e o fogo
Pierre de Craon

 

“Era noite e fazia frio …”
E Pedro se aproximou da fogueira
“Era noite e fazia frio …”

E Pedro se aproximou da fogueira, em torno da qual os criados e os soldados, conversando, se aqueciam. Na casa de Caifás, Pedro procurava a companhia dos criados. Estava imensamente triste e tremia, e havia angústia em seu coração, em que tudo era ruína. O frio o aproximou da fogueira, a covardia, dos algozes. Era noite e fazia frio no coração de Pedro.

Logo foi reconhecido, apesar das sombras da noite que o envolviam. A admiração e o medo que ele sentia dos criados de Anás e Caifás fizeram irromper em seus lábios a primeira negação. Depois, mudo e estupefato ante seu próprio pecado, ficou imóvel, olhando as labaredas da fogueira, cheias de luz e de calor. Meio imerso nas sombras, Pedro, olhando o fogo, queria esquecer o Mestre que traíra.

Como ele era belo e ardente! Como tudo iluminava e aquecia! Como todos se aproximavam dele com prazer e ficavam a contemplá-lo longamente, em silêncio, não se cansando de sua presença, de ouvi-lo, senti-lo e de vê-lo… E ali, naquela hora de trevas, na casa de Caifás, ele parecia mais brilhante que nunca. Ele vencia as trevas que não conseguiam apreendê-lo.

Por mais que ele brilhasse, porém, sua luz jamais ofendia o olhar. Por mais que se o admirasse, jamais se ficava entediado, tal era a variedade de sua beleza. Quão reveladora era aquela luz misteriosa que ele irradiava! E quantos mistérios nas penumbras que ele fazia entrever!

E depois, tudo nele era maravilhoso. Quantos contrastes em seu modo de ser! Ora revelava uma suavidade infinda, ora uma potência aterradora. Ora tinha, da misericórdia, a mais branda doçura, ora o ardor futigante do látego. Por vezes, ele comunicava um calor pacífico e calmo, por vezes fazia a alma crepitar nas labaredas do entusiasmo mais ardente.

O que mais atraía nele? Seria a luz brilhantíssima ou o calor ardentíssimo? Seria o poder que ele tinha de esclarecer ou o bem que a seu redor difundia? Quem deveria se aproximar dele com mais alegria: o leproso que tinha frio ou o cego, que não tinha luz?

Foi então que alguém interpelou de novo a Pedro, dizendo que o vira usar a espada no Horto. E Pedro pela segunda vez se acovardou e traiu. Como caíra tanto e tão baixo?! Aterrado, ele não ousava fixar o olhar interrogativo e suspeitoso dos escravos e dos esbirros. Só olhava as labaredas que subiam. Que sempre subiam.

Como ele tendia para o alto! Como ele obrigava a olhar para o céu! Tudo ele consumia e arrebatava para as alturas. Tudo o que se lançava nele, por mais podre e sujo que fosse, era envolvido e transformado por ele. Não tolerava nada que lhe fosse oposto, não suportava nada que fosse opaco ou impuro. Nada que fosse frio ou sem luz conseguia persistir ao seu contacto. Ele tudo purificava ou destruía. Ou se subia com ele em fagulhas luminosas para o alto, ou se era transformado em cinzas. Purificando ou punindo, ele era justo e santificador.

E imerso nas trevas da casa de Caifás, Pedro angustiado gemia ante o insondável abismo de sua queda, temendo, já que traíra, o fogo devorador, o fogo que sempre sobe e tudo arrebata, luminosa e ardentemente, para o céu.

E ele estremeceu quando uma criada grosseiramente o acusou. E mergulhando ainda mais nas trevas, por medo e por vergonha, perjurou, traindo uma terceira vez. E do meio das sombras, horrorizado ante o negro abismo de sua covardia, continuou fixando o fogo.

Pedro viu então as brasas.

Certo, tudo o que se lançava nele era fogo consumido. Mas também, tudo o que se deixava envolver pela suave carícia de sua luz, ou que se deixava tocar pelo seu calor brilhante, tornava-se semelhante a ele. Os galhos verdes, e até os carvões, se tornavam como ele brilhantes e ardentes. Ficavam como ele, cheios de luz e de calor, de graça e de verdade. Porque quem conheceu a luz da Verdade e o calor do Bem, e os aceitou, se torna, pela Sabedoria e pelo Amor, luminoso e ardente. E os galhos que dele se retiram, que, depois de se terem tornado semelhantes a ele, o renegam, e dele se afastam, esses perdem a luz e o calor, a verdade e o bem, e ficam piores do que antes: opacos, negros e frios carvões apagados.

Foi então que o galo cantou. Foi então que Pedro O viu. E chorou amargamente.

 

29 de Junho — Dia de São Pedro

 

DATAS COMEMORATIVAS

O Dia de São Pedro é comemorado no dia 29 de junho desde os primeiros séculos da formação da Europa Cristã. Essa celebração é mais antiga que o próprio Natal.

Nos países predominantemente católicos, em todo dia 29 de junho comemora-se o dia de São Pedro, ou, como é formalmente conhecido: a Festa de São Pedro e São Paulo. A memória dos dois santos apóstolos, Pedro e Paulo, é relembrada e festejada nesse dia – apesar de, na tradição católica popular de alguns países, como o Brasil, o dia 29 de junho ser dedicado eminentemente a São Pedro. Mas quais são as razões que levaram à escolha desse dia para a celebração da memória desses santos?

Duas são as hipóteses principais para a origem da celebração do Dia de São Pedro:

1. Algumas investigações de historiadores e arqueólogos apontam para o fato de que Pedro teria sido morto em 29 de junho de 64 d.C. A tradição católica, de sua parte, aponta para o fato de que São Paulo pode ter sido morto, senão nesse mesmo dia, ao menos na mesma época, haja vista que trata-se do período em que Nero governava o Império Romano e a perseguição aos cristãos era implacável. Nero foi o responsável pelo incêndio de Roma, que foi levado a cabo em 18 de junho de 64 d.C.

A culpa pelo incêndio foi atribuída aos cristãos e, nos anos que se seguiram, a perseguição e as mortes que atingiriam esse povo tornaram-se onipresentes nos domínios romanos. Pedro foi morto crucificado de cabeça para baixo. Paulo foi decapitado. Muitos outros mártires cristãos, nessa mesma época, foram jogados no Coliseu para serem devorados por leões famintos.

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2. Além de o dia 29 de junho ser identificado com a morte de Pedro, era nesse dia também que se praticava o culto pagão aos irmãos Rômulo e Remo, considerados os míticos fundadores da cidade latina. Com o avançar do cristianismo no Ocidente, o dia de culto aos irmãos gêmeos foi cristianizado e paulatinamente substituído pela celebração aos dois principais apóstolos da cristandade, os já mencionados Pedro e Paulo.

O fato é que essa celebração é mais antiga que a data do Natal e ocorre também na Igreja Ortodoxa, só que no dia 12 de junho, pois os ortodoxos não seguem o calendário gregoriano, como os católicos, e sim o calendário juliano, anterior à reforma do Papa Gregório XIII.

O dia de São Pedro também é oportuno para recordar a trajetória desse apóstolo, que, ainda na primeira metade do século I a.C., cruzou a Palestina e chegou a estabelecer-se na cidade de Antioquia, na atual Turquia. Logo depois seguiu para Roma e começou a promover a ordenação de bispos e sacerdotes. A força espiritual e institucional de Pedro exerceu uma importância tremenda na formação da Cristandade.

Nas tradições do catolicismo popular, principalmente o brasileiro, o dia de São Pedro é comemorado com fogueira, fogos de artifício, comidas típicas, quadrilha e os demais componentes das festas juninas.

Por Me. Cláudio Fernandes

Estátua de São Pedro em Roma
Estátua de São Pedro em Roma

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

FERNANDES, Cláudio. “29 de Junho — Dia de São Pedro”; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/datas-comemorativas/dia-de-sao-pedro.htm. Acesso em 27 de junho de 2020.


Denice elogia Isidório, mas nega definição sobre vice: ‘Não estamos pontuando’

sexta-feira, 26 junho, 2020

Por outro lado, major afirmou que gostaria de reproduzir o modelo de Rui na gestão estadual – a vice ser ocupada por alguém de sua base

Estela Marques

Foto: Instagram/ Arquivo Pessoal
Foto: Instagram/ Arquivo Pessoal

 

A major Denice Santiago, pré-candidata do PT à prefeitura de Salvador, afirmou nesta sexta-feira (26) que não há definições sobre quem será seu vice no pleito deste ano. Nem mesmo o deputado federal Pastor Sargento Isidório, também apoiado pelo governador Rui Costa.

Apesar dos elogios ao ex-colega de farda, Denice afirmou que ainda não é o momento dessa decisão.

“Acho ele uma figura fantástica. Transito com ele desde minha época na corporação, e dele também, e é uma figura fantástica. É uma pessoa que tenho relações e gosto muito. Mas ainda não estamos pontuando sobre ser ou não”, declarou a policial.

Segundo Denice, diferentemente de outros partidos, o critério de escolha será “ideologias convergentes”. Perfil determinado, formato, discurso, religião ou etnia não são parâmetros de escolha para o PT.

A policial também foi questionada sobre uma possível aliança com o PCdoB ou o PP, que nesta semana anunciaram junção para as eleições municipais. Sem se comprometer, a Denice disse apenas que as eleições ainda estão “num momento de aguardo de decisões” e as composições só serão pensadas depois de construída a campanha junto ao partido. No entanto, a pré-candidata do PT afirmou que gostaria de reproduzir o modelo de Rui na gestão estadual – a vice ser alguém de sua base, neste caso, João Leão (PP).

“Essa é pauta que está no nosso radar. Agora, ainda é muito novo para decidir. Temos um processo eleitoral que é diferente. Partidos estão construindo seus movimentos, o que é legítimo e democrático. Quem sabe quando dialogarmos melhor poderemosm unificar esse processo”, acrescentou.

Do Bahia.Ba


STF proíbe redução de salário de servidor por estados e municípios para adequar despesas

quinta-feira, 25 junho, 2020
Redução salarial temporária está na Lei de Responsabilidade Fiscal, mas previsão está suspensa desde 2002 pelo STF. Ministros analisaram ações que questionavam a lei.

Por Rosanne D’Agostino, G1 — Brasília

STF proíbe corte salarial de servidores estaduais e municipais e veta redução de repasse
STF foto divulgação
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira (24), por maioria de votos, proibir a redução de jornada e de salário de servidores por estados e municípios quando os gastos com pessoal ultrapassarem o teto de 60% da Receita Corrente Líquida (RCL). O limite é previsto em lei.

A redução salarial temporária está prevista na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), mas está suspensa desde 2002 pelo próprio Supremo pela possibilidade de ferir a Constituição. Nesta semana, a Corte retomou a análise de ações que questionavam diversos dispositivos da lei.

Os ministros entenderam que a redução temporária de carga horária e de salários fere o princípio constitucional de irredutibilidade, contrariando a demanda de estados e municípios que ultrapassam o limite legal.

A maioria dos ministros seguiu o voto de Edson Fachin, que divergiu do relator, Alexandre de Moraes. O julgamento foi retomado com o voto do ministro Celso de Mello, que também acompanhou o relator.

Do G1

Nosso comentário

Em boa hora chega a justa decisão da Corte Suprema do Judiciário brasileiro. Mais uma vez o STF mostra que não teme tomar decisões contra majoritária, foi assim na questão do aborto(Anecefalia) e também na Criminalização da Homofobia. Claro que a Corte paga um preço atraindo pra si o ódio da direita reacionária e dos fascistas. Quanto ao servidor público, foi eleito como bode expiatório diante da crise fiscal que assola as três esferas do Executivo. Governadores e prefeitos (também os da esquerda)  nos últimos seis anos, apoiados por boa parte da midia empresarial, arrocham salários, postergam aposentadorias, congelam pensões das viúvas e viúvos de servidores, cortam gratificações e direitos escudado na questão fiscal e no “limite prudencial”.  Essa história acabou. A má gestão e a corrupção na esfera pública são ,de fato, o inimigo a ser combatido. Quem cuida da Educação e da pesquisa, segurança pública e da saúde da população não pode ser tratado como vilão.  A decisão do STF reafirma a hierarquia das normas, a lei, seja ela ordinária ou complementar, não pode contrariar a Constituição do país. Desta forma, o STF  garante com a sua decisão o princípio constitucional da irredutibilidade dos salários.

 


ACM Neto diz que lutará com PT, PCdoB e PSOL, se precisar, para defender democracia

quarta-feira, 24 junho, 2020

A declaração do prefeito de Salvador foi durante seminário online promovido pelo Harvard-Brazil Dialogues, série de conversas organizadas pela universidade americana.

 

[ACM Neto diz que lutará com PT, PCdoB e PSOL, se precisar, para defender democracia]
Foto : Divulgação

Por João Brandão no dia 24 de Junho de 2020 ⋅ 16:40

O prefeito de Salvador, ACM Neto, afirmou hoje (24), que é preciso combater qualquer tentativa de ataque à democracia brasileira, mesmo estando ao lado do PT, PCdoB, PSOL e PDT, durante seminário online promovido pelo Harvard-Brazil Dialogues, série de conversas organizadas pela universidade americana.

“Se a gente tiver que estar junto do PT, do PSOL, do PCdoB, do PDT, não interessa se é direita ou esquerda, para defender a democracia, contêm conosco”, disse.

“A democracia é valor absolutamente inegociável. Aliás, essa é uma bandeira do Democratas. Não vamos aceitar qualquer tipo de ataque à democracia”, frisou. Além de ACM Neto, participaram do evento outros cinco presidentes de partidos: Roberto Freire (Cidadania), Bruno Araújo (PSDB), Gleisi Hoffman (PT), Carlos Lupi (PDT) e Marcos Pereira (Republicanos).

Fonte: Metro 1


Governo brasileiro está alinhado a ‘projeto de destruição’, diz Silvio Almeida

terça-feira, 23 junho, 2020

Em entrevista ao programa Roda Viva, jurista e filósofo afirmou que negação do racismo, sobretudo no atual momento histórico, é um “reforço de posições racistas”

Imagem: Reprodução/Roda Viva
Imagem: Reprodução/Roda Viva

 

O jurista e filósofo Silvio Almeida afirmou que o governo Bolsonaro está alinhando a um “projeto de destruição do Brasil” e que a negação do racismo, principalmente no momento histórico em que vivemos, é um “reforço de posições racistas”. A declaração foi dada na noite de segunda-feira (22), durante o programa Roda Viva (TV Cultura).

Para o escritor de “Racismo Estrutural”, o governo brasileiro nega quer enxergar o racismo porque “dá base para cometer os absurdos que estão sendo cometidos”.

“O que me leva a pensar o que esse momento significa e a figura que hoje preside a Fundação Palmares [Sergio Camargo], como esse governo está alinhado a um projeto de destruição do Brasil”, analisou Almeida.

“E não só no tecido social brasileiro, o que tem de mais pujante, mas uma destruição das instituições que foram equilibradas sobre esse pacto, que é profundamente questionável, e que fazia que no Brasil nos não tivéssemos visto de maneira tão evidente laivos de supremacia branca”, acrescentou ele.

Na avaliação de Almeida, a força da supremacia branca no Brasil é uma novidade e que vem enraizado em um discurso econômico, justamente em um período de pandemia do coronavírus.

“Isso é muito violento, num momento em que estamos vivendo uma pandemia em que há um projeto de retração dos investimentos públicos em saúde e educação, em que se defende contra todas as evidências a manutenção de um teto de gastos que, sem precedentes em outros lugares do mundo, onde é necessário o investimento público, nós sabemos que esse discurso da supremacia branca vem afinado com certo discurso econômico que seduz muita gente”, disse.

Redação
Bahia.Ba

Há 50 anos, o Brasil era tri, no México: a melhor seleção da história

segunda-feira, 22 junho, 2020

Capitão Carlos Alberto ergue a taça do Tri, no Méxixo

Sob o comando do treinador Mário Jorge Lobo Zagallo, craques como Pelé, Carlos Alberto, Tostão, Gerson, Rivellino, Jairzinho, Clodoaldo, e de jovens como o então goleiro do Palmeiras Emerson Leão, que se juntou aos colegas de posição Félix (titular) e Ado, conseguiram no México vencer seis partidas em seis jogos.

O Brasil alcançou a posse definitiva da Jules Rimet, troféu que só seria entregue a quem vencesse pela primeira vez três edições da Copa, e ainda ensinou o mundo como jogar bonito, com velocidade, ocupação de espaços, transição defesa, meio e ataque, alternância de posicionamentos. Uma aula de como se jogar futebol até nos dias de hoje.

A Campanha do Brasil na Copa de 1970 foi perfeita: 6 jogos, 6 vitórias, 19 gols marcados, 7 gols sofridos e um saldo de 12 tentos.

Na 1ª Fase, o Brasil mostrou sua força vencendo três adversários europeus: 4 a 1 na Tchecoslováquia – gols de Rivellino, Pelé e Jairzinho (dois) – 1 a 0 na Inglaterra (Gol de Jairzinho), 3 a 2 na Romênia (gols de Pelé (dois) e Jairzinho.

A seleção tricampeã Mundial no México, em 1970: melhor time da história

Nas quartas de finais, bateu o Peru por 4 a 2, gols Rivellino, Tostão (dois) e Jairzinho. Nas semifinais, 3 a 1 contra o Uruguai, gols de Clodoaldo, Jairzinho e Rivellino. E na grande final, 4 a 1 diante da Itália, gols de Pelé, Gérson, Jairzinho e Carlos Alberto. Ou seja, um título incontestável para uma equipe estrelada de craques.

Aquele time formado por Zagallo, tinha a seguinte formação base: Félix; Carlos Alberto Torres, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo e Gérson; Jairzinho, Tostão, Pelé e Rivellino.

A equipe brasileira era tão forte que 5 deles estiveram na Seleção Ideal da Copa: Mazurkiewicz (Uruguai); Facchetti (Itália), Piazza (Brasil), Beckenbauer (Alemanha Ocidental) e Carlos Alberto Torres (Brasil); Gérson (Brasil), Rivellino (Brasil), Bobby Charlton (Inglaterra), Pelé (Brasil), Gerd Müller (Alemanha Ocidental) e Jairzinho (Brasil).

Jairzinho, aliás, foi o artilheiro da Copa com 7 gols e recebeu o apelido de Furacão por ter marcado gol em todos os jogos da Copa do Mundo de 1970. Feito inédito na história dos mundiais.

O Furacão da Copa descreveu, 50 anos depois, como foi ganhar o tricampeonato pelo Brasil. “Dentro da minha mente, a primeira coisa que me vem à cabeça é o trabalho extraordinário realizado por todo mundo, no qual pude contribuir para que o Brasil ficasse com a Taça Jules Rimet em definitivo. A comissão técnica era de altíssimo nível, com Zagallo, Coutinho, Parreira. Eram pessoas altamente qualificadas e preparadas. Eles montaram um cronograma de trabalho e, pela primeira vez, o Brasil teve um esquema de preparação com três meses de duração. Treinávamos seis horas por dia, sendo três pela manhã e três à tarde”.

Camisas 10

Em seguida, Jairzinho lembrou que a Seleção era recheada de Camisas 10, dando um salto de qualidade à equipe. Os craques Jairzinho (Botafogo), Rivelino (Corinthians), Gérson (São Paulo) e Pelé (Santos), a linha de frente da Seleção Brasileira, vestiam a camisa 10 em seus clubes. Tostão, que vestia a oito no Cruzeiro, já vestira a 10 da Seleção antes do Mundial.

Jairzinho, o Furacão da Copa 70, 7 gols em seis jogos

“Pela primeira vez a seleção jogou com cinco camisas 10, todos jogadores de alto nível. O mundo todo aplaudiu a qualidade do futebol brasileiro, ofensivo e de muita técnica. Não tivemos nenhum problema em termos de esquema tático, coletividade ou falta de amizade. Todo mundo se enquadrou dentro daquela filosofia. Até hoje está escrito nos anais do futebol que o time de 70 foi a melhor seleção de todos os tempos. Zagallo montou uma seleção que nunca mais ninguém vai conseguir fazer. Aquele título foi um feito maravilhoso do futebol brasileiro”, relembrou ele.

Outro astro da Seleção de 1970, Rivellino lembrou que a Seleção chegou desacreditada para a Copa no México.

“Ao falar da Copa de 70 vem muita coisa na cabeça. Saímos do Brasil totalmente desacreditados por todo mundo. Tínhamos bons jogadores, mas naquela época era difícil ter informações dos adversários. Sabíamos, por exemplo, que a Inglaterra tinha sido campeã em 1966 e era um bom time, mas não tínhamos muito mais que isso”.

Em seguida, Rivellino lembrou o foco de Pelé para aquela Copa, motivando a todos ainda mais. “Ficamos dois meses treinando, e algo que me chama a atenção até hoje era o quanto o Pelé, a maior referência do futebol na história, tinha de energia positiva, de vontade de vencer. Ele era o primeiro da fila e nunca reclamava de nada. O cara era bicampeão do mundo, chegava em nós e falava: ‘Olha aqui, moleque, você não sabe o que é ser campeão do mundo’. Em relação à convivência, este elenco me marcou bastante também, mas por um motivo diferente”, relembrou.

Pelé

Por falar em Pelé, ele por pouco não jogou a Copa do Mundo de 1970. Mas para a nossa sorte, mudou de ideia. O maior jogador do Século sempre fala com carinho da seleção de 70. Nada daquele Mundial sai de suas memórias. Os jogadores se respeitam até hoje e falam uns dos outros com orgulho e admiração. Basta perguntar de um para outro que os elogios chegarão naturalmente.

Pelé é carregado como Rei do Futebol, consagrado no México (Foto: AP Photo/File)

É por muitos a melhor seleção de todos os tempos, com futebol empolgante, craques em campo e vencedora. A seleção do tri tinha Pelé, o melhor de todos, então com 29 anos.

O fracasso do Brasil na Inglaterra em 1966 fez com que ele reavaliasse sua despedida do time nacional como havia planejado. Disse que não queria mais. Mudou de ideia. Naquela época, achava que disputar três Copas do Mundo estaria de bom tamanho para um menino que saiu de Três Corações (MG) para ganhar o mundo e a reverência de todos no esporte que seu pai também jogava.

Pelé estava feliz com sua vida e carreira. Tivesse jogado em melhores condições físicas e não se machucado no torneio mundial vencido pelos inventores do futebol, que também eram os anfitriões da festa, Pelé teria parado ali mesmo. Admitiu isso em seu Instagram ao escrever após postar uma foto sua em branco e preto numa estação de trem inglesa em 1966. “Esse sou eu depois que o Brasil foi eliminado da Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra. Eu jurei nunca mais jogar outra Copa. A lição é que você nunca deve ter medo de mudar de ideia”.

Felizmente, para o futebol brasileiro e para uma geração de torcedores, Pelé mudou de ideia.

Aos 29 anos, idade não muito nova para um jogador de futebol naquela década, o camisa 10 do Santos continuava sendo sua majestade em campo, e chegou ao México bastante disposto a ganhar o tri.

Homenagens

Desde o último dia 11, a Fifa iniciou uma campanha para celebrar os 50 anos da Copa do Mundo de 1970. Lances históricos dessa competição ganharam nova roupagem e foram digitalizados.

Seleção é homenageada 50 anos depois da conquista histórica no México

As imagens de perfis oficiais da entidade máxima do futebol nas redes sociais também foram modificadas com o icônico retrato de Pelé usando um sobreiro.

“A Copa do Mundo da Fifa produziu tantos momentos emblemáticos, e México 1970 se destaca como um verdadeiro ponto alto, onde futebol e cultura se combinam para produzir um dos torneios mais memoráveis de todos os tempos”, disse Simon Thomas, diretor comercial da Fifa. (Fonte: Diário do Nordeste/CBF).