CUIDADO SENÃO VIRA BAGUNÇA

Por Carlos Chagas

Coube à ministra do Planejamento, Mirian Belchior, fornecer motivo para a mais nova reprimenda da presidente Dilma Rousseff a integrantes de seu governo que trafegam na contramão, falando em seu nome sem poder  ou anunciando iniciativas não aprovadas. Na quarta-feira Mirian admitiu para a imprensa cortes no orçamento do PAC, como parte da estratégia da redução de gastos públicos. Na quinta, engoliu a informação, quando Dilma fez saber que não haveria qualquer contingenciamento nas obras do PAC.

O episódio, aliás, foi uma repetição do primeiro entrevero entre a presidente e membros de sua equipe. Guido Mantega, convidado para continuar, também havia previsto cortes no PAC, sendo duplamente desmentido: pelo Lula, que saía, e por Dilma, que entrava. Ainda agora, arrisca-se o ministro da Fazenda a outra reprimenda, pois ao voltar de férias sustentou a inexistência, no governo, de projetos para aliviar a carga no imposto de renda. Isso, horas depois que o secretário-geral da presidência da República, Gilberto Carvalho, levara a proposta aos dirigentes das centrais sindicais, compensação  para aceitarem um reajuste minúsculo no salário-mínimo.

Ainda sobre Mantega, uma contradição: Fernando Haddad, da Educação, foi admoestado pela presidente por conta da crise no Enem e por haver anunciado a disposição de tirar férias. Precisou desistir.   Um pode, outro não pode?

Junte-se a esses desacertos o pito que Dilma passou no general Elito Siqueira, chefe do Gabinete de Segurança  Institucional, por haver justificado o regime militar, bem como a contramarcha  a que se obrigou o ministro da Defesa, Nelson Jobin.  Depois de sustentar a  compra de 36 aviões de  caça franceses,  ele assistiu Dilma anunciar que as negociações estavam reabertas para outras propostas e adiadas para 2012.

Convenhamos, a presidente não deixa passar em branco escorregadelas de seus ministros, mas elas continuam acontecendo. Breve chegará a hora de um deles (ou delas) ser defenestrado. Senão, vira bagunça.

ELETROBRÁS VERSUS PETROBRÁS?

Circula na Esplanada dos Ministérios a proposta de que tudo o que disser respeito ao planejamento e exploração de fontes de energia limpa fique sob a supervisão da Eletrobrás. No caso, energia tirada  da biomassa, eólica, solar, nuclear  e similares. Com a Petrobrás ficaria a responsabilidade sobre a energia suja, quer dizer,  petróleo. Não há nada de concreto, apenas idéias, mas já cobrindo o percurso entre Brasília e o Rio, onde funcionam as sedes da Eletrobrás e da Petrobrás. Pode haver curto-circuito e dores de cabeça para o  ministro Edison Lobão.

A VÉSPERA E O DIA SEGUINTE

Tudo tem acontecido no ninho dos tucanos mas agora foi demais. José Serra não gostou de ter sido alijado da hipótese de presidir o PSDB por conta de manobra conjunta de Geraldo Alckmin e de Aécio Neves, que apóiam a continuação de Sérgio Guerra. O resultado do choque está sendo a ressurreição de Fernando Henrique, não para presidente do partido, mas para estrela maior de seu programa de propaganda gratuita. Uma evidência de que em política, no dia seguinte, as coisas sempre podem ficar um pouquinho piores do que na véspera…

VOTAÇÃO SECRETA

Sandro Mabel não desistiu de sua candidatura à presidência da Câmara, pelo menos até  ontem à noite. O PMDB continua ressentido pelo “chega-prá-lá” que levou de  Dilma Rousseff, apesar do clima de cordialidade registrado no encontro entre a presidente e o vice-presidente Michel Temer. Some-se os dois  fatores e poderá ser alterada a ordem natural dos entendimentos em torno da eleição antes tranqüila de Marco Maia.  As novas bancadas do PMDB recebem algum estímulo de  certos dirigentes do partido para ameaçarem  o governo com a derrota do candidato do PT. A  votação será secreta.

ESFORÇO CONCENTRADO

Aguarda-se para os próximos dias a indicação, pela presidente Dilma, do décimo-primeiro ministro do Supremo Tribunal Federal, prevendo-se uma reunião rápida do  Senado para sua aprovação. O principal tema que prende as atenções tanto do mundo  jurídico quanto do Congresso refere-se ao julgamento dos 40 mensaleiros pela mais alta corte nacional de justiça. Não dá mais para protelar o processo.  O relator, ministro Joaquim Barbosa, pretenderia levar suas conclusões aos companheiros ainda no primeiro semestre, imaginando-se as sentenças a partir de agosto. Há apreensão entre os réus, tendo em vista que nenhum sinal será dado pelo palácio do Planalto, nem pelo ministério da Justiça, no sentido de aliviar a barra de qualquer deles. A idéia, no Supremo, é de um esforço concentrado como satisfação à opinião pública.

 

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