El País’: América Latina está à beira da recessão

Contração da economia brasileira em 2015 arrasta os demais países da região

O pessimismo domina. Há apenas seis meses a instituição que apoia os países mais atrasados projetava um aumento do crescimento de 1,7% para a América Latina este ano. No entanto, agora diz que ficará na metade do 0,9% com que encerrou 2014, o que significa que a expansão fica adiada e será mais lenta. A previsão feita em janeiro para 2016 era de 2,9%, quase um ponto mais alta e era elevada a 2,8% para o exercício seguinte.

O Banco Mundial resume o problema da seguinte maneira: os países da América do Sul estão tendo dificuldades do lado da demanda interna, pela frágil confiança dos investidores, as secas generalizadas e o barateamento das matérias-primas. No caso do Brasil há como agravante o prejuízo causado pelo escândalo na Petrobras, explicou Kaushik Basu, seu economista-chefe.

A maior economia latino-americana se contrairá 1,3% este ano, quando a previsão era de crescer 1%, e isso arrasta os demais países da região. A moderação do crescimento na China explica também esse forte retrocesso. A contração será mais profunda na Venezuela, de 5,1% este ano, em comparação com 4% em 2014 e os 2% previstos em janeiro. O prognóstico é que haja uma moderação na recessão em 2016, para 1%.

Nas projeções para a Argentina, os técnicos da instituição projetam um crescimento de 1,1% no exercício em curso, o dobro de um ano atrás. A previsão feita há seis meses era de uma contração de 0,3%, ou seja, haverá uma melhora. Os relatores explicam que esse cálculo é agora mais completo porque contam com dados que não tinham em mãos no último informe.

O relatório qualifica como “frágil” a situação no México ao referir-se ao clima para os negócios. Os Estados Unidos servem, no entanto, de suporte e isso lhe permitirá crescer 2,6% este ano, uma projeção que está em linha com o que foi antecipado em janeiro. A esperança é que a contração vivida pela economia norte-americana no começo do ano seja transitória e isso impulsione o crescimento também no vizinho do sul até 3,2% em 2016.

A economia mexicana é das que servem de motor da região, por ser uma das três maiores. Em termos relativos, os países que mais crescem são o Panamá, onde se espera que mantenha o ritmo de 6,2% em 2015, e Peru, com 3,9%, antes de uma retomada para 5% em 2016. No grupo das economias que mais se expandem está também a Bolívia, com 4,8%, e a Guatemala, com 4%.

A Colômbia crescerá 3,5% este ano, segundo a nova estimativa do Banco Mundial, embora neste caso a previsão seja quase um ponto inferior à de janeiro e isso explica também que, ao lado do Brasil, o país tenha contribuído para rebaixar o conjunto da projeção para a América Latina. É a nação, de fato, que serve de exemplo para refletir essa “complexa transição” enfrentada por todo o subcontinente.

Expansão decepcionante

O Banco Mundial assinala que essa adaptação à nova era de baixos preços do petróleo e outras matérias-primas representa uma dificuldade importante para o conjunto das economias em desenvolvimento, combinada com a alta nos custos do financiamento. “Este ano de 2015 será o quarto consecutivo de crescimento decepcionante”, afirmam os relatores da instituição, que projetam uma expansão de 4,4%.

“Apertem os cintos porque haverá solavancos pela frente”, adverte o economista-chefe, embora veja uma melhora gradual no horizonte. Para o ano que vem a atividade econômica dos emergentes aumentaria 5,2%. A partir daí subiria dois décimos porcentuais em 2017. O temor do organismo é que a alta das taxas de juros nos EUA prejudique os países que estão demonstrando mais vulnerabilidades.

Para o conjunto da economia mundial, a projeção cai para 2,8%, dois décimos a menos do que o previsto em janeiro. A partir daí subiria meio ponto em 2016 graças ao impulso do baixo custo da energia. Isso se explica também por uma análise mais otimista da Europa, graças aos estímulos, e também uma expansão de 2,7% em EUA. As economias avançadas crescerão 2% este ano e 2,4% em 2016.

Adiar o aumento da taxa de juros

Mas o Banco Mundial alerta que uma “apreciação excessiva” do dólar por meio de uma “alta prematura” das taxas de juros nos EUA poderia interferir nessas projeções se acabar afetando a recuperação da maior economia mundial. “Os efeitos seriam adversos para seus parceiros comerciais”, antecipa. É um dos argumentos do Fundo Monetário Internacional para pedir o adiamento da elevação das taxas.

Como disse na semana passada Christine Lagarde, do FMI, o economista Kaushik Basu aconselha o Federal Reserve que “é melhor esperar” o começo de 2016 para marcar o início do processo de normalização da política monetária nos EUA. “Os sinais que chegam da economia são mistos”, observou. Ainda assim, admite que o Fed começará a elevar o preço do dinheiro este ano.

Por tudo isso, as duas instituições coincidem em insistir em que o crescimento das economias em desenvolvimento não pode depender só dos EUA como motor e elas também não podem ser tão vulneráveis. A recuperação na zona do euro é ainda insuficiente. A projeção feita pelo Banco Mundial é de 1,5%, mais otimista que o 1,1% antecipado há seis meses. Depois cresceria 1,8% em 2016.

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