A FALTA QUE BRIZOLA FAZ

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Alexandre Brust*

 

Neste 21 de junho, há 11 anos, o trabalhismo perdeu a sua maior e mais autêntica liderança e, a política do Brasil perdeu a sua maior referência.

Uma liderança política se destaca pela coragem na tomada de decisões administrativas e políticas.

Brizola foi o único político brasileiro que, diante de uma crise iminente, tomava as decisões necessárias, por mais drásticas que fossem, para resolvê-la.

Foi assim em 1959, logo que assumiu o governo do Rio Grande do Sul-RS, quando a falta de expansão do sistema elétrico estrangulava a economia do Estado, particularmente a industrial de Caxias do Sul, não exitou e, mediante depósito judicial de CR$ 1,00 (hum cruzeiro), decretou a expropriação, encampou a americana Bond&Chare e, posteriormente, pela mesma razão, a ITT Companhia de Comunicações, tendo à época causado repercussão internacional.

Politicamente, ainda durante seu governo, por ocasião da renúncia do Presidente Jânio Quadros, dia 25 de agosto de 1961, diante do veto dos três Ministros Militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica à posse legítima do vice-Presidente João Goulart, em nome da Legalidade Constitucional, somente com o apoio da briosa Brigada Militar, no mesmo dia, não exitou em requisitar a Rádio Guaiba, instalando nos porões do Palácio Piratini a Cadeia da Legalidade e, através do seu microfone, fez a maior mobilização cívica do Brasil a favor da posse de Jango, ocorrida dia 7 de setembro de 1961.

Esses dois exemplos dão a dimensão da liderança exercida por esse bravo, corajoso e incomparável homem público, tão bem definido pelo jornalista Petrônio Souza, logo que soube da morte de Brizola: “Foi gênio e genial, homem raro, daqueles que nasceu lá para as bandas dos pampas do olhar reto, direto, engenheiro por formação, queria reconstruir o País e, estruturado em valores solidificados na pedra preciosa do nacionalismo autêntico.

Não enxergava limites nem divisas, para ele a Nação era o todo, sem barreiras no amor incorporado.

Agora, ficamos nós com o coração vazio. Muitos não concordavam, mas ouviam. Por autoridade nacional, ele repetia, repercutia. Agora, fica faltando um bravo no céu anil do Brasil. Fica faltando as sábias palavras do grande pai nacional que, sempre, para o bem geral da Nação, ponderava.

Fica faltando Leonel Brizola, o homem que fez desabrochar uma Rosa Vermelha brasileira, dentro do peito dos verdadeiros filhos da Pátria”.

Por oportuno, destacamos trechos do discurso proferido pelo nosso valoroso companheiro e competente Senador Cristóvam Buarque, lamentando a ausência do grande líder no cenário político brasileiro:

“Medimos os grandes políticos pela presença deles no cenário nacional quando estão vivos, mas medimos a importância dos maiores de todos pela ausência deles. E Brizola foi um político de presença firme ao longo de todas as décadas de sua atividade política. Ele nunca esteve discreto na vida pública brasileira. Sempre teve um lado claro, firme, em defesa da Nação brasileira, em defesa dos trabalhadores brasileiros.

Brizola faz falta nesse mundo em que, aparentemente, não há bandeiras claras, nítidas. Ele carregava em si uma bandeira. Ele falava com uma posição, com um lado, com uma nitidez de princípios e de propostas, sem esse furta-cor que hoje caracteriza as bandeiras dos partidos no Brasil. Brizola faz falta na soberania nacional, na nitidez de posições que digam: existe um lado, e existe outro lado, não esse meio-de-campo em que todo mundo hoje está se misturando.

O grande Brizola faz falta no momento em que as leis trabalhistas exigem alguns ajustes, mas não podem ser ajustes contra os interesses dos trabalhadores. Ele faz falta por que a voz dele seria a melhor para dizer que aqui estão as mudanças que podemos fazer, aqui está o limite além do qual a gente não vai, aqui está a maneira de mudar as leis, melhorando-as, não prejudicando os trabalhadores. Ele está fazendo falta, nesse momento, porque a voz dele daria uma força, uma credibilidade que nenhum de nós, políticos ainda vivos, temos.

Brizola tinha os princípios, a história dos princípios, a palavra dos princípios. Por isso, faz falta.

Brizola faz uma profunda falta também neste momento do vazio ideológico que vive a política no Brasil, porque ele nunca foi contaminado por uma ou outra ideologia. Ele construiu sua ideologia. Ele foi capaz de não cair nos “ismos” e criar o trabalhismo junto com Getúlio, com Jango, com Pasqualini e com outros, mas a linha dele não seria afetada pelo debacle que a gente viu da maneira como o socialismo era feito”.

Neste momento conturbado da vida da Nação, com crise de ordem política, administrativa e ética, certamente uma liderança da dimensão de Brizola é tudo o que mais faz falta, “fica faltando as sábias palavras do grande pai nacional”, falta a presença de uma liderança com autoridade nacional para dizer o que deve ser feito para tirar o País do atoleiro, para dizer o que é melhor para o Brasil.

 

 

 

 

 

 

 

Hari Alexandre Brust

Secretário Geral do PDT

pdtbahia@hotmail.com

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