125 anos de um jornal sempre à frente de seu tempo

Comemorando aniversário neste sábado, o JB relembra um pouco de sua história

Mesmo durante a ditadura civil-militar, quando coerção e tortura constituíam a ordem vigente, o JB não se omitiu, não se calou. Muitas vezes chegou até a desafiar as “ordens superiores”. No final de 1968 por exemplo, ano em que o AI-5, marco da instalação do autoritarismo no pais, foi outorgado, o jornal foi fortemente intimidado pela censura dos militares, a ponto do então diretor José Sette Camara ser preso após a publicação de pequenas ironias no jornal. A presidente Maurina Dunshee de Abranches Pereira Carneiro chegou a seu gabinete no mesmo dia e logo deixou claro que o JB só voltaria a circular quando Câmara fosse solto, o que só ocorreu no início da madrugada do dia seguinte. Como os esquemas industriais de impressão e distribuição já haviam sido afetados, o jornal não circulou neste domingo, dia 15 de dezembro.

A censura no Jornal do Brasil, depois do impacto da presença de militares fardados na redação, passou a exercer-se através de comunicados da Polícia Federal, que eram arquivados em uma pasta, de cerca de 10 centímetros de espessura. Era o chamado “livro preto”.

Quando o presidente chileno Salvador Allende foi morto em 1973, o jornal foi impedido de publicar o fato como manchete. Allende, esquerdista declarado, abrigara vários exilados que fugiam da ditadura no Brasil e era mal quisto pelos militares. Em um marco histórico da luta da imprensa contra a censura no país, ainda tema de estudo nas faculdades de jornalismo, o jornalista Alberto Dines escreveu uma matéria relatando minuciosamente o atentado e a morte do líder chileno, publicada na primeira página, sem título, e em um tamanho menor de letra. O fato constituiu apenas um dos vários episódios em que o JB conseguiu driblar o autoritarismo.

Em outro caso emblemático, nos anos 70, o repórter Marcos de Sá Correa teve acesso a documentos sigilosos liberados por força de lei pela Biblioteca Lyndon Johnson, nos Estados Unidos, sobre a participação americana no golpe militar que derrubou o então presidente João Goulart. Para evitar que o assunto viesse a ser incluído no “livro preto” dos comunicados da Polícia Federal, o vice-presidente executivo do jornal à  época, Manoel Francisco do Nascimento Brito, teve a ideia de publicar na primeira página que a reportagem continuaria nos dias seguintes, fazendo com que uma eventual censura não passasse despercebida.

“Empresários e governantes às vezes não gostam de ter seus atos e palavras focalizados sob ângulo crítico. O desenvolvimento não aboliu este comportamento de tentar abafar a notícia que desagrada interesses privados ou governamentais e que a sociedade tem o direito de reconhecer”, dizia Nascimento Britto, conservador com tendência liberal, um visceral adversário da censura.

Se a ditadura militar não veio a intimidar o JB, tampouco as transformações tecnológicas e midiáticas o fizeram. Frequentemente, esteve na vanguarda das principais transformações por que o jornalismo passou ao longo dos séculos XX e XXI. Na década de 50, por exemplo, o  JB revolucionou o design dos jornais através de um reforma gráfica, conduzida por Amílcar de Castro, que abriu caminho para que o jornal se tornasse o principal do país. O famoso “Caderno B”, seção dedicada à cultura e a eventos culturais na cidade, foi uma das grandes criações desse período. Não havia nada parecido até então. Hoje, o “Segundo Caderno” do jornal “O Globo” é apenas um dos inúmeros exemplos.

Quando os tradicionais veículos midiáticos observavam assustados o advento da internet, o JB viu no fenômeno uma oportunidade para se expandir, de contribuir para a dinamização da informação.

Em 1995, o JB deu o grande salto, tornando-se o primeiro jornal brasileiro a publicar conteúdos na internet, explorando uma plataforma que possibilitava a notícia em tempo real. 15 anos depois, em 2010, o jornal foi um dos primeiros no mundo a migrar definitivamente para a plataforma online, projetando uma nova realidade para o fazer jornalístico no futuro, tanto como negócio quanto função social.

Quem poderia imaginar que aquele pequeno jornal, nascido monarquista, dois anos após o nascimento da República que então combatia, se tornaria no século seguinte um gigante da imprensa brasileira?

Os principais líderes políticos das últimas décadas ressaltam o quanto a história nacional é vinculada à história do próprio JB, parabenizando o jornal por seu aniversário:

“Quero congratular-me com toda a equipe do Jornal do Brasil, que esteve presente em todos os grandes eventos políticos que o país conheceu nos últimos anos. Estou certo que com sua edição digital vai manter o prestígio que sempre teve”.

Francisco Dornelles, vice-governador do Rio de Janeiro, atual governador interino do Estado.

“Em mais de um século de existência, o Jornal do Brasil foi marcado por um histórico de inovações. Com poucos anos de fundação, teve a ousadia de lanças uma proposta editorial voltada para as reivindicações populares. E eu fui testemunha disso. Na última década do século passado, foi o primeiro jornal do país a publicar notícias na internet”.

Luiz Inácio Lula da Silva, ex-Presidente da República

“O JB é parte fundamental da história contemporânea do Brasil. A própria democracia brasileira deve muito à independência, ao rigor, à qualidade do jornal. Todos nós brasileiros somos de alguma forma devedores pela importância que o jornal tem nos momentos mais difíceis da vida nacional”.

Senador Aécio Neves (PSDB-MG)

“O Jornal do Brasil, ao longo de sua história, sempre foi considerado um modelo de jornalismo moderno, criativo e independente, tendo assim atravessado períodos diversos da vida de nosso país. Agora, ingressa no campo do jornalismo eletrônico, adaptando-se aos rumos da moderna comunicação”.

Itamar Franco, ex-Presidente da República

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