“Parte da elite brasileira não gosta e não acredita em democracia”, diz Lula

Jornal do BrasilEduardo Miranda

Em seu discurso, Lula lembrou o golpe de 1964 e afirmou que parte da elite brasileira “não gosta e não acredita em democracia.”

“Eu tinha 18 anos e 5 meses quando, no dia 31 de março, aconteceu o golpe militar de 1964. No dia do golpe eu estava trabalhando e a gente tinha só meia hora pra comer, comia em pé. Lembro das pessoas defendendo o golpe militar: ‘Os militares vão consertar o Brasil e acabar com a corrupção’. Lembro da minha mãe dando a aliança dela para a campanha Ouro para salvar o Brasil. Eu nunca tinha votado, meu primeiro voto foi pra mim, meu segundo foi pra mim, meu terceiro foi pra mim”, afirmou, sob aplausos do público.

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Ovacionado por milhares de manifestantes, o ex-presidente Lula fez um contundente discurso de 40 minutos na noite desta segunda-feira (11), durante ato da Cultura pela Democracia que reuniu artistas, intelectuais e políticos na Fundição Progresso, na Lapa, Centro do Rio, contra o impeachment. Chico Buarque, Leonardo Boff e Beth Carvalho foram algumas das personalidades presentes.

Em seu discurso, Lula lembrou o golpe de 1964 e afirmou que parte da elite brasileira “não gosta e não acredita em democracia.”

“Eu tinha 18 anos e 5 meses quando, no dia 31 de março, aconteceu o golpe militar de 1964. No dia do golpe eu estava trabalhando e a gente tinha só meia hora pra comer, comia em pé. Lembro das pessoas defendendo o golpe militar: ‘Os militares vão consertar o Brasil e acabar com a corrupção’. Lembro da minha mãe dando a aliança dela para a campanha Ouro para salvar o Brasil. Eu nunca tinha votado, meu primeiro voto foi pra mim, meu segundo foi pra mim, meu terceiro foi pra mim”, afirmou, sob aplausos do público.

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“Jamais imaginei que a minha geração, que viu o golpe de 64, ia aos 70 anos de idade, ver golpista tentando tirar uma presidenta democraticamente eleita. Vejam quem quer tirar Dilma. Primeiro, Temer; segundo, Cunha; terceiro, Geddel; quarto, Henrique Eduardo Alves. Eles mostraram a faceta de uma parte da elite brasileira, que não gosta e não acredita em democracia”, disse Lula.

O ex-presidente prosseguiu: “Democracia deles é quando estão governando, é governar esse país para 33% da população. Aos 70 anos eu não consigo falar em longo prazo, mas queriaque eles soubessem que eu, desde muito cedo, aprendi a andar de cabeça erguida. E nós, nordestinos, temos consciência que se a gente não morrer aos 5 anos de idade, vai viver por muito tempo.”

Ovacionado pelo público, que gritava “Olê, olê, olá, Lula, Lula!”, ele continuou: “Sei por que eles querem tirar a Dilma. Ela me convidou para votar ao governo em agosto e eu não quis. Mas agora eu aceitei e nós vamos recuperar esse país”, disse, acrescentando: “Lembro que antes de eu ser presidente, a gente tinha vergonha de descer em qualquer aeroporto com o passaporte, parecia que a gente era traficante de cocaína. Falei para o Celso Amorim: ‘Vamos mudar a geopolítica desse país'”.

Lula citou ainda a grande mídia: “Mesmo quando eu era presidente, nunca me preocupei com as capas das revistas que estão mais para jogar no lixo. Inventaram um apartamento que vão ter que me mandar algum dia”, disse, complementando: “Faço um esforço muito grande para voltar a ser o ‘Lulinha Paz e Amor’. A gente não mede o brasileiro pela cor da camisa que a gente usa, a gente mede pela vergonha que a gente tem na cara. A gente não pode dividir a sociedade, temos que dar a lição de paz. O povo brasileiro sempre foi mais otimista. Estão lembrando a choradeira quando o Brasil ganhou as Olimpíadas? Mas parece que tudo ruiu quando a companheira Dilma ganhou a eleição de 2014. Faz um ano e quatro meses que eles não dão trégua pra ela, eles não deixam e não querem que a Dilma governe. Aprendam com o Lula, saibam esperar, Lula esperou 12 anos para chegar lá.”

O ex-presidente falou sobre conquistas sociais no governo PT. “Esse país só foi ter sua primeira universidade brasileira 400 anos depois de descoberto. A elite nunca se preocupou. E nós mudamos essa lógica. Esses meninos estão provando que não tem essa de o cara ser rico. A diferença é que antes a universidade era só para eles. Eu só tenho o diploma primário e o curso do Senai, mas vou passar para a história como o presidente que mais fez universidades no país. Isso incomoda.Sei que ainda falta muito, mas duvido que tenha um presidente que tenha visitado o Rio, as favelas, como eu visitei. O pobre brasileiro tem que ter o melhor. O pobre não quer comer pé de frango, ele quer peito de frango. Não sei quem inventou que pobre gosta de xepa”, disse, acrescentando: “Fico imaginando a cara da madame que vê a empregada chegando com o perfume que ela também usa. É assim aqui e no mundo inteiro. Copacabana, cinema, Theatro Municipal é só deles. Mas não gostamos do bom e do melhor. Eles acham que eu tô incitando a luta de classes. Quando a gente defende a honra da Dilma, a gente está defendendo a honra da mulher brasileira que sempre foi tratada como objeto. Se eles quiserem me derrotar, vão ter que aprender que a gente não sai nas ruas apenas aos domingos, a gente sai domingo, segunda, terça, quarta…”

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