‘El País’: O estupro político

Artigo destaca violência da classe política contra os mais fracos
Jornal do Brasil

O jornal espanhol El País desta quinta-feira (2) traz um artigo que trata sobre um assunto bastante falado neste última semana: o estupro. Da vergonha do estupro sexual já se escreveu tudo, por conta da tragédia sofrida pela adolescente do Rio nas mãos de um pelotão de machos violentos. Existe, entretanto – destaca o jornal – outro tipo de estupro, que não deve ser esquecido neste momento, e que é vivido pelo Brasil. Suas vítimas não são unicamente as mulheres, mas milhões de cidadãos, diz o texto.

O artigo de Juan Arias para El País fala sobre a violência imposta pela classe política à parte mais fraca da sociedade, que se sente uma vítima impotente diante das suas corrupções e atropelos. Segundo a reportagem, a mulher, na sociedade machista, é, real e simbolicamente, objeto de violência – e não só sexual –, vítima dos prejuízos atávicos que, desde as cavernas, a considera inferior e submissa ao poder masculino. Existem, entretanto, outras categorias de pessoas igualmente violentadas física e moralmente fora da esfera sexual.

 

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Manifestantes realizam ato em frente ao STF contra as arbitrariedades e misoginia da justiça brasileira

Como descreve o texto, a palavra estupro procede do latim stuprum, que significa desonra, vergonha pública. No sentido jurídico, simboliza “emprego da força contra alguém mais fraco”, compreendida a violência sexual, mas não só. Na raiz indo-europeia, estuprar significa golpear. Se estupro, originalmente, indica a força exercida contra alguém mais fraco, sempre que a classe política, através de suas instituições, usa a força contra os marginalizados está cometendo um estupro moral coletivo.

Nesse sentido, ressalta a publicação espanhola, todas as feridas sociais produzidas pelas crises econômicas, as violências policiais, geralmente contra pobres e negros, as mentiras que enganam a boa fé das pessoas humildes e a corrupção que impede melhoras na educação, na saúde e na cultura são também um estupro.

Isso deveria servir também de alerta para dizer não a esse outro estupro moral e coletivo ao qual as práticas políticas machistas das velhas panelinhas de caciques, sem distinção de ideologias, condenam o tecido mais frágil da sociedade. O estupro moral, social e político pode, às vezes, doer e até matar, tanto ou mais que o da carne.

São vítimas de estupro os milhões de desempregados, os jovens sem futuro, as mulheres que, mesmo quando mais preparadas que os homens, ganham sempre menos que eles, conclui El País.

El País El estupro político

 

Ministro Dias Toffoli reconduz Ricardo Melo à presidência da EBC

Jornalista havia sido exonerado pelo presidente interino Michel Temer

O jornalista Ricardo Melo foi reconduzido ao cargo de diretor-presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) por decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (1º). Toffoli deferiu liminar apresentada por Melo até decisão final da corte.

“Para suspender o ato impugnado, até decisão final do presente mandado de segurança, garantindo-se ao Impetrante o exercício do mandato no cargo de Diretor-Presidente da EBC. Notifique-se a autoridade coatora para que preste as informações no prazo de lei. Após, voltem-me os autos conclusos, para apreciação da petição nº 26797/2016.”, afirma Toffoli.

Ricardo Melo havia sido exonerado do cargo pelo presidente interino de Michel Temer antes do fim de seu mandato de quatro anos, o que vai contra a lei da empresa. Ele foi nomeado por Dilma Rousseff dias antes do afastamento da presidente. No lugar de Melo, Temer nomeou o jornalista Laerte Rimoli.

Despacho do ministro Dias Toffoli, do STF, desta quarta-feira (1º)

Jornal do Brasil

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