Temer não consegue nem governar sem conversar com Cunha, diz Dilma

Presidente interino teve encontro secreto com o peemedebista para discutir cenário
Jornal do Brasil

O presidente interino Michel Temer (PMDB) teve um encontro secreto com o correligionário Eduardo Cunha neste domingo (26) no Palácio do Jaburu, para avaliar o cenário político. A presidente afastada Dilma Rousseff recorreu às redes sociais para se manifestar sobre a reunião entre peemedebistas: “O presidente interino não consegue nem governar sem conversar com o presidente suspenso da Câmara dos Deputados, que já foi denunciado pelo STF 2 vezes”, escreveu Dilma.

O Palácio do Planalto confirmou o encontro, mas Cunha negou a reunião. Quatro dias antes, o deputado afastado se tornou réu no STF pela segunda vez. Cunha, que abriu o processo de impeachment contra Dilma que colocou Temer no poder, além dos processos que enfrenta diretamente, precisa lidar com investigações contra a esposa e a filha na Justiça Federal, e está prestes a ser cassado na Câmara dos Deputados. Ele já havia mandado um recado de que, se cair, levará junto 150 parlamentares que estariam comprometidos com o esquema de corrupção.

Cunha teria telefonado para Temer para pedir o encontro reservado, que foi aceito pelo presidente interino. Uma preocupação dos dois seria a sucessão de Eduardo Cunha na Câmara, que poderia prejudicar as votações — e o ritmo delas — que Temer precisa, como a proposta do teto de gastos e de reforma previdenciária. A saída de Cunha vai culminar em uma nova eleição no prazo de cinco sessões, para um mandato-tampão até 1º de fevereiro.

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Para a presidente afastada, seu “erro mais óbvio” foi fazer aliança com agrupo da “usurpação e traição”. [Na foto, Temer com Cunha um mês antes de assumir articulação política do governo Dilma]
Para a presidente afastada, seu “erro mais óbvio” foi fazer aliança com agrupo da “usurpação e traição”. [Na foto, Temer com Cunha um mês antes de assumir articulação política do governo Dilma]
O ex-governador Tarso Genro comentou nas redes sociais que, “se Temer realmente recebeu Cunha no Palácio chegamos ao último grau de desmoralização da Republica”.

O deputado federal Ivan Valente (Psol), por sua vez, escreveu: “Como disse Jucá: Temer é Cunha. Ou alguém tem dúvida de que ele age p/ salvar o cúmplice.” “Temer adula Cunha porque sabe que se houver delação virá chumbo grosso. Governo Temer não resistirá à tamanha turbulência política.”

Para o deputado federal Henrique Fontana, a reunião entre Temer e Cunha no Palácio enquanto Dilma é inocentada no caso das pedaladas fiscais são “motivos suficientes p/rejeitar impeachment e convocar plebiscito.”

O ex-deputado estadual Robson Leite também comentou no Twitter: “Temer e Cunha reunidos para ‘avaliar o cenário político’… Será que quem foi às ruas ‘pelo fim da corrupção’ acredita nessa tese?”

Para Dilma, o “erro mais óbvio” que ela cometeu, foi a aliança que fez para a reeleição com o “grupo político de quem teve atitude de usurpação e traição”. “Poderíamos ter sido mais contundentes para denunciar golpe articulado pela mídia, descontentes que ‘não queriam pagar o pato’, oposição e golpistas”, afirmou.

“É necessário uma profunda reforma política e não está em questão apenas o mandato do pres. da República, mas de todo o Legislativo. Estamos num momento especial. É preciso recompor conquistas e abrir caminhos para que se crie uma verdadeira democracia”, completou Dilma Rousseff.

Michel Temer foi responsável pela articulação política do governo Dilma de abril a agosto do ano passado.

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