Economistas apostam na redução da taxa de juros: “Será saudável para a economia”

Copom se reúne. Anúncio deve ser feito na tarde de quarta-feira
Jornal do Brasil
Felipe Gelani *

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) deu início, nesta terça-feira (18), à penúltima reunião do ano para definir a taxa básica de juros, a Selic. A segunda parte da reunião será feita nesta quarta-feira (19), por volta das 18h, quando será feito o anúncio da decisão. A expectativa de analistas de mercado é de que haja uma redução na taxa para estimular a produção e o consumo. Porém, se não houver um equilíbrio entre os dois pontos, a inflação pode aumentar. O professor de Economia da UFRRJ Everlam Montibeler explica que o mercado espera que haja uma queda de 0,25 ou 0,5 pontos percentuais da taxa, que hoje é de 14,25%.

O cronograma dos dois dias de reunião determina um encontro na manhã desta terça, na qual participaram o presidente do BC, Ilan Goldfajn, e os diretores do comitê. No dia seguinte, após uma avaliação das perspectivas para a inflação e das alternativas para a Selic, a taxa básica de juros deve ser estabelecida.

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Comitê de Política Monetária do Banco Central se reúne para definir taxa de juros
“Desde 2012 não há queda na Selic, ela está na ascendente. É importante a taxa cair por causa da pressão que ela exerce sobre os gastos públicos. A maior parte dos gastos vem dos juros”, explica o professor Everlam Montibeler.

Já o professor de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF) Carlos José Guimarães Cova pondera que não é possível determinar realmente qual vai ser a decisão do Copom, mas esclarece que há uma forte influência do mercado em prol da escolha pela redução. “Isso é saudável para a economia, um sinal de que as coisas estão entrando nos eixos”, opina o professor.

Cova ressalta que, na atual conjuntura, faz sentido que a taxa seja reduzida. “Não haveria condição de fazer isso antes. O Brasil tem uma dívida imensa. Isso explodiria a inflação.” Para o professor, o governo vem sinalizando para o mercado uma iniciativa de controle dos gastos públicos, com a polêmica PEC 241 (do teto dos gastos) e outras medidas que poderiam teoricamente entusiasmar o mercado. “Essas medidas juntas podem contribuir para um cenário auspicioso e promissor para a economia. Isso não poderia ser feito no governo anterior por causa da irresponsabilidade fiscal, o que, aliás, foi o motivo da sua queda”, afirma.

Montibeler concorda que a medida seria benéfica, inclusive para o controle da dívida pública interna do país. “A redução é importante para diminuir o crescimento da dívida e para tornar o país mais atrativo para o investimento. Atualmente, a taxa é muito alta para permitir que o empresário faça investimentos.”

A preocupação com a possibilidade de aumento da inflação com a menor possibilidade de controle por parte do governo foi minimizada pelos professores. “Não influencia tanto pois, na verdade, a inflação está voltando para a meta. Então podemos suavizar o controle da inflação por meio da taxa de juros”, diz Montibeler. No entanto, ele ressalta que “existe um debate na literatura econômica do Brasil, que aponta os juros como um fator não tão relevante, pois no país os preços de alguns serviços, como energia, são em lista, são preços administrados”.

Segundo o professor, em países como os EUA, que têm preços mais livres baseados em oferta e demanda, os juros têm papel mais importante para o controle da inflação. Ele ressalta que, no caso do Brasil, a decisão de começar uma trajetória de redução da taxa de juros pode ter começado um pouco tarde. “A queda dos juros é mais importante no estímulo do mercado do que o impacto negativo na inflação.”

Para ele, o longo período sem redução se deve também à crise política pela qual o país vem passando. “Nesse período de transição, acho que a política econômica foi deixada de lado. Ao governo anterior faltou ousadia, e o que veio depois tem muita cautela. No entanto, é importante que haja um mínimo de controle. A taxa de juros deve ser pensada em relação à taxa que está sendo implementada nos outros países, senão pode haver evasão de capitais do Brasil. A redução vai ser calculosa”, diz o professor, que destaca que o atual presidente não quer um embate com o mercado.

Montibeler explica que “este é um processo que caminha lentamente. Tem que baixar os juros, mas tem que gerar empregos, a produção industrial, etc… É um processo complicado a curto prazo.” Para o professor Cova, a decisão é saudável a longo prazo. “O sinal para o mercado é positivo. Medidas em termos de política industrial não costumam dar certo. Fazer a redução da taxa já pode ser o suficiente”, conclui.

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