Governo estava isolado, com crise fiscal e ‘déficit da verdade’, diz Michel Temer

Jornal do Brasil

De acordo com o peemedebista, os trabalhos a serem desenvolvidos pelo Conselhão nesta e nas futuras reuniões serão relevantes para reverter esse quadro. “No Brasil que encontramos não havia apenas o déficit fiscal. Havia também, lamento dizê-lo, um certo déficit da verdade. Devo dizer que a gigantesca crise que herdamos é, em parte, produto de tentativas de disfarçar a realidade”, disse o presidente durante a abertura dos trabalhos do Conselhão.

Presidente Michel Temer durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social 
Presidente Michel Temer durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social 

Criado em 2003, o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social tem o objetivo de assessorar o presidente da República e os demais órgãos do Poder Executivo na elaboração de políticas públicas, articulando as relações do governo com os setores da sociedade civil representados.A versão atual do grupo teve 67% de seus membros renovados e terá como tema da primeira reunião a retomada do crescimento econômico.

Durante sua fala, Temer apresentou parte da estratégia do seu governo para amenizar os problemas econômicos do país. Segundo ele, neste primeiro momento, o governo está atuando no sentido de combater a recessão para, em um segundo momento, fazer com que o país cresça e, em um terceiro momento, gerar empregos. “Só faremos o Brasil crescer substituindo ilusionismo pela lucidez”, disse.

“Nossa crise é de natureza fiscal. Por muito tempo, o governo gastou mais do que podia. Agora, a realidade bate à porta e cobra seu preço. O déficit era de R$ 170 bilhões, e o da Previdência Social poderá chegar a R$ 140 bilhões. São déficits assustadores que ruíram a confiança dos investidores e dos consumidores. O preço desse descuido das contas públicas não é pago pelo governante que gasta demais. É pago pelo trabalhador que sente os efeitos da irresponsabilidade no emprego e no bolso”, disse o presidente.

Fechar para balanço

Segundo ele, os números encontrados por sua equipe após assumir o governo “simplesmente não fecham”. “Se prosseguíssemos naquele ritmo [adotado durante o governo Dilma Rousseff], em 2024 teríamos de fechar o Brasil para balanço. Evidentemente, a Previdência faz parte desse conserto”, disse ao justificar as movimentações que o governo vem fazendo com o intuito de fazer uma reforma da Previdência.

Temer voltou a afirmar que encontrou o país “imerso em uma das piores crises da história”, e que é necessário “abandonar o isolamento do poder, construir pontes de entendimento e articular consensos”. É com esse cuidado, acrescentou, que o governo tem buscado restabelecer a relação harmônica entre os poderes.

“Estamos implementando uma agenda de produtividade, tratando o setor privado como parceiro. E vamos restituir ao Estado o seu papel regulador”, disse Temer.

Segundo ele, esse papel regulador do Estado terá reflexos positivos no setor privado. “A empresa terá agora escolhas, e não amarras”, disse ao ressaltar que já há índices mostrando que o consumo está começando a aumentar graças à confiança tanto do setor empresarial como dos trabalhadores.

Temer pede que Conselhão faça divulgação positiva do governo

Temer pediu a ajuda dos integrantes do Conselhão no sentido de divulgar “de forma positiva” as ações que estão sendo planejadas e implementadas pelo governo federal. “É preciso até uma certa ladainha; repetir várias vezes. Isso vai entrando no espírito e na alma, deixando as pessoas animadas”, pediu o presidente em uma das intervenções.

“A comunicação realmente é fundamental. Que os senhores se comuniquem pelo governo. [E que o façam] de uma forma positiva”, disse Temer, pedindo que, em suas rotinas, os conselheiros “propaguem” ao máximo o que será debatido nas reuniões.

Temer citou novamente a frase “não fale da crise, trabalhe”, que viu estampada em um posto de gasolina. “Verificaram que o posto de gasolina faliu, mas isso não desvaloriza a frase”, disse o presidente ao lamentar ver o “desapreço” das pessoas às instituições. “Isso não pode ocorrer”, falou.

Segundo o presidente, o governo vem tendo “compreensão da classe trabalhadora”, apesar de algum “confronto de ideias” que vem sendo verificado em sindicatos. “Mas faremos muitas reuniões para chegar a um consenso. Isso significa que tanto trabalhadores como empresários precisarão abrir mão de algo”.

* Da Agência Brasil

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