Dono da JBS grava Temer dando aval para compra de silêncio de Cunha

Jornal do Brasil

Em seguida, o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), indicado por Temer para negociar, via propina da JBS, o silêncio de Eduardo Cunha, foi filmado pela Polícia Federal recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados por Joesley. Temer também ouviu do empresário que estava dando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada na prisão para ficarem calados. Diante da informação, Temer incentivou: “Tem que manter isso, viu?”.

As gravações foram entregues ao Supremo Tribunal Federal (STF) na quarta-feira passada. Segundo o colunista Lauro Jardim, Joesley e Wesley entraram apressados na Suprema Corte se seguiram direto para o gabinete do ministro Edson Fachin.

Os donos da JBS estavam acompanhados de mais cinco pessoas, todas da empresa. Diante de Fachin, a quem cabe homologar a delação, os sete presentes ao encontro confirmaram: tudo o que contaram à Procuradoria-Geral da República em abril foi por livre e espontânea vontade, sem coação, afirma o colunista do Globo.

Joesley disse, ainda, que pagou R$ 5 milhões para Eduardo Cunha após sua prisão. O valor é referente a um saldo de propina que o deputado cassado tinha com ele. O empresário também revelou que devia R$ 20 milhões pela tramitação de lei sobre a desoneração tributária do setor de frango.

Segundo Lauro Jardim, “a velocidade supersônica para que a PGR tenha topado a delação tem uma explicação cristalina”: o que a turma da JBS (Joesley sobretudo) tinha nas mãos era algo nunca visto pelos procuradores: conversas comprometedoras gravadas pelo próprio Joesley com Temer e Aécio — além de todo um histórico de propinas distribuídas a políticos nos últimos dez anos. Em duas oportunidades em março, o dono da JBS conversou com o presidente e com o senador tucano levando um gravador escondido — arma que já se revelara certeira sob o bolso do paletó de Sérgio Machado, delator que inaugurou a leva de áudios comprometedores. Ressalte-se que essas conversas, delicadas em qualquer época, ocorreram no período mais agudo da Lava-Jato. Nem que fosse por medo, é de se perguntar: como alguém ainda tinha coragem de tratar desses assuntos de forma tão desabrida?”.

Temer foi gravado pelos donos da JBS pedindo a compra do silêncio de Eduardo Cunha
Temer foi gravado pelos donos da JBS pedindo a compra do silêncio de Eduardo Cunha

Aécio pediu R$ 2 milhões a dono da JBS, revela gravação

Entrega de dinheiro a primo do senador foi filmada pela PF

Segundo a matéria, o diálogo gravado durou cerca de 30 minutos, e o encontro aconteceu no dia 24 de março no Hotel Unique, em São Paulo. “Quando Aécio citou o nome de Alberto Toron, como o criminalista que o defenderia, não pegou o dono da JBS de surpresa. A menção ao advogado já havia sido feita pela irmã e braço-direito do senador, Andréa Neves. Foi ela a responsável pela primeira abordagem ao empresário, por telefone e via WhatsApp (as trocas de mensagens estão com os procuradores). As investigações, contudo, mostrariam para a PGR que esse não era o verdadeiro objetivo de Aécio”, escreveu Lauro Jardim.

'Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação', diz Aécio em gravação
‘Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação’, diz Aécio em gravação

O pedido de ajuda foi aceito, e o empresário quis saber quem pegaria as malas. A matéria divulga o diálogo a seguir:

“Se for você a pegar em mãos, vou eu mesmo entregar. Mas, se você mandar alguém de sua confiança, mando alguém da minha confiança”, propôs Joesley.

“Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho”, respondeu Aécio.

Ainda de acordo com O Globo, Aécio indicou o primo, Frederico Pacheco de Medeiros, para receber o dinheiro. Frederico foi diretor da Cemig, nomeado por Aécio, e um dos coordenadores de sua campanha a presidente em 2014, na área de logística. O diretor de Relações Institucionais da JBS, Ricardo Saud, um dos sete delatores da empresa, foi quem levou o dinheiro a Frederico, em quatro entregas de R$ 500 mil cada uma. Lauro Jardim indica que a PF também filmou uma delas.

As filmagens mostram que, após receber o dinheiro, Frederico repassou, ainda em São Paulo, as malas para o secretário parlamentar do senador Zeze Perrella (PMDB-MG), Mendherson Souza Lima. Mendherson levou a propina de carro para Belo Horizonte em três viagens sempre seguido pela PF. O assessor negociou para que os recursos fossem parar na Tapera Participações Empreendimentos Agropecuários, de Gustavo Perrella, filho de Zeze Perrella. “Não há, portanto, nenhuma indicação de que o dinheiro tenha ido para o advogado Toron”, conclui o colunista.

Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, recebeu o material na semana passada, e a PGR diz ter provas para afirmar que o dinheiro não foi repassado a advogados.

Jornal do Brasil
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