Janot, o “desengavetador” da República

Jornalista Malu Gaspar analisa a atuação e a sucessão do procurador-geral

Ela conclui: “o núcleo duro de Janot na força-tarefa da Lava Jato está seguindo à risca uma estratégia estabelecida desde o início do ano: acelerar ao máximo os trabalhos para concluir tudo o que for considerado importante antes do início do reinado do próximo mandatário”.

A jornalista faz a observação para questionar até quando o presidente Michel Temer vai conseguir se manter no cargo. “Os acordos possíveis de delação serão fechados; inquéritos serão encaminhados para abertura imediata; e investigações de denúncias ainda pendentes serão concluídas. Janot não quer deixar para trás nada que for relevante. O sprint deve fazer eclodir novos abalos no mundo político e econômico”, escreveu.

E ressalta que a delação mais importante dessa reta final é a de Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda e coordenador da campanha eleitoral de Lula.

“A colaboração da OAS – acusada de presentear o ex-presidente Lula com um tríplex no Guarujá – também está no forno”, ela acrescenta. “E os espectros do ex-assessor especial do Gabinete Pessoal da Presidência e homem da mala Rodrigo Rocha Loures, assim como o de Lúcio Funaro – apontado como operador de Eduardo Cunha no mundo das propinas – ainda ameaçam o Palácio do Planalto”, escreveu.

O mandato de Janot termina em 17 de setembro
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Malu diz ainda que Temer sabe das prioridades da Lava Jato e da ânsia de Janot, “daí a urgência em desmontar a operação, expressa mais recentemente pela nomeação de um ministro da Justiça que admite intervir na Polícia Federal”.

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Estão pendentes também as denúncias de todos os inquéritos derivados da delação com a Odebrecht, do marqueteiro João Santana, os desdobramentos da delação da JBS, “e de alguns remanescentes da primeira ‘lista do Janot’, divulgada ainda em 2015”.

“Para dar conta de todo esse trabalho, o procurador vai precisar movimentar alguns moinhos. Seus braços no Ministério Público devem trabalhar dobrado para concluir as denúncias. Ele ainda espera que a Polícia Federal aja de forma mais rápida do que o ritmo atual para finalizar os inquéritos. Um trabalho cartorial pesado”, escreveu a jornalista.

Porém, ela ressalta que o procurador pode deixar assuntos importantes na lista de pendências para seu substituto. “O temor é que o neo-ocupante do cargo seja leniente ou que encerre processos importantes sem muito esforço. Em anos passados, a PGR foi bastante criticada por sua aversão às denúncias. Um de seus titulares, o jurista Geraldo Brindeiro, chegou a ser apelidado de ‘engavetador-geral da República'”.

E finaliza o artigo afirmando que “a decepção de Janot em não conseguir fazer seu sucessor não é uma surpresa”, acrescentando que o procurador tem ciência de que sua influência política é pequena, e que precisará trabalhar para engrandecer seu próprio legado. “E claro: caso Temer seja abatido no último metro de pista, o procurador não vai achar nada mal”, completou.

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