” EL País”: Brasil rejeita políticos com “cheiro de corrupção”

Artigo de Juan Arias analisa perfil do candidato que o povo quer para presidência

O jornal espanhol El País traz em sua edição desta sexta-feira (30) um artigo de Juan Arias, onde trata sobre o eleitor brasileiro e suas exigências diante da crise que se atravessa. Ele cita uma fala de Joaquim Barbosa, possível candidato a presidente: “Será que o Brasil está preparado para ter um presidente negro?”

Juan publicou esta frase em sua coluna na última semana como forma de teste e o que percebeu foi que entre os quase 300 comentários dos leitores, ficou claro que os brasileiros elegeriam um negro, sim, e inclusive um gay, do mesmo jeito que já elegeram um operário sem estudos (Lula) e uma mulher (Dilma).

Ele diz que não encontrou um único comentário de alguém afirmando que nunca votaria em um negro. Até mesmo os que disseram que Barbosa não seria seu candidato enfatizaram que decidiram isso não por ele ser negro, e sim porque não o consideram preparado para o cargo.

Arias acrescenta que Junto com a confirmação da grande maioria de que não teria problema em votar “pela cor da pele”, foi também quase unânime a revelação sobre a primeira qualidade que exigiriam hoje de um candidato à Presidência: a honestidade. Não ser corrupto.

O texto para El País aponta que parece claro, que nas próximas eleições, será difícil eleger um candidato se seu nome aparecer manchado, de alguma maneira, por acusações de corrupção
O texto para El País aponta que parece claro, que nas próximas eleições, será difícil eleger um candidato se seu nome aparecer manchado, de alguma maneira, por acusações de corrupção

“O Brasil precisa de um(a) presidente honesto e competente para tirá-lo do atoleiro. Pode ser negro, branco, amarelo, homem, mulher, gay, etc”, escreve Max de Freitas.

“Negro ou branco? O que precisamos, urgentemente, é de gente honesta e séria” (Pedro Batista).

E houve quem reagisse com ironia: “Contanto que seja competente e não corrupto, pode ser até um alienígena que tudo bem” (Leandra Oliveira).

O autor avalia que o que realmente importa neste momento é a escolha de um presidente honrado. “A questão não é ser negro; é não ser corrupto” (Adriano Morais).

O texto para El País aponta que parece claro, que nas próximas eleições, será difícil eleger um candidato se seu nome aparecer manchado, de alguma maneira, por acusações de corrupção.

O que não querem é alguém, político ou não, acusado de corrupção – e muito menos condenado, afirma Juan Arias. Assim, a primeira e praticamente única condição que os brasileiros exigem hoje de um futuro presidente é que seja, simplesmente, “honrado”.

Em outro momento histórico, os brasileiros nem teriam nomeado essa qualidade de honradez como condição para ser presidente do país, ressalta Juan Arias. Ele observa que teriam prestado mais atenção na importância de seus programas, em suas aptidões de líder, agregador e pacificador, assim como em sua capacidade de saber dialogar com as outras forças políticas.

Em outros tempos, diz Arias, teriam destacado seu projeto para criar um novo Brasil com menos desigualdades sociais, maiores oportunidades para todos, capaz de inspirar novas esperanças.

Para Juan Arias um presidente, além de ser honrado, deve no entanto estar preparado para o cargo e saber demonstrar isso com o seu currículo, sendo  portanto, significativo e digno de reflexão essa ênfase dos eleitores sobre a necessidade de eleger um “não corrupto”.

Ele lembra que acabou o tempo em que se votava no “melhor corrupto”. As coisas estão mudando, conclui.

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