ACM Neto promete defender permanência da Petrobras na Bahia

terça-feira, 24 setembro, 2019

De acordo com o deputado Paulo Azi, o prefeito ‘assumiu o compromisso’ de defender os interesses dos servidores da estatal

Foto: Secom Salvador
Foto: Secom Salvador

 

O prefeito ACM Neto (DEM) e o deputado federal Paulo Azi, presidente do Democratas na Bahia, se reuniram com representantes do Sindicato dos Petroleiros para discutir a situação da Petrobras no estado.

No encontro, que aconteceu na tarde de segunda-feira (23), o prefeito ‘assumiu o compromisso’ de defender os interesses dos servidores da empresa em Brasília, informando que terá um encontro com o ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque, e com o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco.

Segundo Paulo Azi, “ao contrário do PT, que faz jogo de cena como se não tivesse nenhuma responsabilidade pelo atual desmonte da estatal na Bahia, o prefeito ACM Neto chamou para si a responsabilidade de defender a permanência da Petrobras no Estado.”

Redação do Bahia.Ba

 

Começa reação contra privatização da Petrobras. A ideia é fazer barulho

Se a ideia vai germinar, não se sabe, mas já está plantada

Levi Vasconcelos
Foto: Matheus Morais/bahia.ba
Foto: Matheus Morais/bahia.ba

 

Instalada em 21 municípios baianos, produzindo 42 mil barris de petróleo por dia e 6 milhões de metros cúbicos de gás, um movimento em torno de R$ 4 bilhões por ano, empregando quatro mil trabalhadores concursados e 13 mil terceirizados, a Petrobras pode estar se despedindo da Bahia, pelo menos, com a concepção que marca a sua trajetória, a de uma estatal nacional.

Na Assembleia ontem, políticos com o senador Jaques Wagner (PT) à frente, mais líderes sindicais, deflagraram a campanha em defesa da Petrobras, que o governo Bolsonaro pretende privatizar.

Barulho

Por ironia, a exploração petrolífera no Brasil começou na Bahia. Guilherme Estrela, engenheiro da empresa, o pai do pré-sal, lembrou que ‘isso é um crime contra a história’. E ressalvou:

— Não estão privatizando. Estão desnacionalizando a exploração e o refino.

Jaques Wagner bateu forte. Disse que a briga é pelo controle do petróleo, com os EUA querendo criar a hegemonia, e Bolsonaro dando corda:

— Fernando Henrique tinha uma visão diferente da nossa, mas não tinha uma natureza subalterna e entreguista como vemos agora.

E o que dizer dos que falam que o PT, com os escândalos gerados pela Lava Jato, contribuíram para isso?

— É uma mera desculpa para eles atingirem os objetivos deles. Sempre fomos a favor que se investigue e puna culpados. Mas aí é entregar.

Muitos foram os oradores, e todos bateram na mesma tecla: a necessidade de ir às ruas fazer barulho. Se a ideia vai germinar, não se sabe, mas já está plantada.

Levi Vasconcelos

Levi Vasconcelos é jornalista político, diretor de jornalismo do Bahia.ba e colunista de A Tarde.

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Entidades internacionais se manifestam sobre morte de Ágatha

terça-feira, 24 setembro, 2019

Jornal do Brasil

O assassinato da estudante Ágatha Félix, 8, provocou a reação de entidades internacionais, como a Unicef Brasil e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos).

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A menina Agatha foi morta com um tiro nas costas no Complexo do Alemão (Foto: Reprodução)

O governador Wilson Witzel (PSC) também foi denunciado na ONU (Organização das Nações Unidas) pela ONG Justiça Global, junto com oito entidades que atuam em favelas do Rio de Janeiro.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos exigiu a identificação e a definição de responsabilidades pela morte da estudante.

“O Estado deve investigar de maneira célere e diligente e punir os responsáveis”, diz a entidade.

A Unicef Brasil declarou, em nota, que “apela para o compromisso de proteger o direito à vida de cada menina e menino, de prevenir homicídios e de priorizar a investigação das mortes violentas de crianças e adolescentes”.

“A morte da menina Ágatha Félix, assassinada por um tiro nas costas durante uma ação da Polícia Militar no Rio de Janeiro, nos revela a dor profunda das famílias, os sorrisos e os sonhos interrompidos de 32 crianças e adolescentes assassinados por dia no Brasil”, diz a nota, divulgada nesta segunda-feira (23).

A ONG Justiça Global apresentou, junto com oito entidades que atuam em favelas no estado, uma denúncia contra Witzel à alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos, a ex-presidente do Chile Michele Bachelet. No texto, a entidade afirma que a morte da menina é “diretamente relacionada à bárbara política de segurança pública conduzida pelo governador do Rio de Janeiro”.

A OAB-RJ afirmou em nota no sábado (21) que a morte da menina “vem se somar à estatística de 1.249 pessoas mortas pela polícia nos oito primeiros meses do ano”.

“Um recorde macabro que este governo do Estado aparenta ostentar com orgulho. A OAB-RJ lamenta profundamente que a média de cinco mortos por dia pela polícia seja encarada com normalidade pelo Executivo estadual e por parte da população. A normalização da barbárie é sintoma de uma sociedade doente”, diz a nota.

O Ministério Público do Rio de Janeiro lamentou a morte da estudante e disse em nota que “o uso inapropriado ou extralegal da força letal pela polícia, quando desmedido e frequente, além de afetar a legitimidade da instituição policial, configura um problema público que deve ser debatido de forma ampla”.

“O Ministério Público, que detém o dever constitucional de exercer o controle externo da atividade policial, também está atento à política pública de segurança que vem sendo adotada. O MPRJ, por meio do seu centro de pesquisas (CENPE/MPRJ), vem elaborando um minucioso estudo sobre o tema  para que a atual política de segurança seja cuidadosamente analisada, para que tragédias como essa não se repitam”, diz a nota.

A Anistia Internacional declarou que “a responsabilidade do governador é prevenir e combater a violência com inteligência e levando em consideração que todas as vidas importam”. “E não deixar um rastro de vítimas que deveriam ser protegidas pelo Estado, como Ágatha e mais de mil pessoas mortas só este ano por agentes de segurança pública no Rio de Janeiro”, diz a ONG.

O governo do Rio de Janeiro declarou em nota lamentar a morte da estudante e afirmou que Witzel “determinou máximo rigor para que sejam investigadas todas as circunstâncias que causaram esse episódio trágico”.

O ministro Sérgio Moro (Justiça) disse em comunicado que lamenta a morte de Ágatha e “confia que os fatos serão completamente esclarecidos pelas autoridades do Rio de Janeiro”. “O governo federal tem trabalhado duro para reduzir a violência e as mortes no país, e para que fatos dessa espécie não se repitam”, diz o texto. (FolhaPress SNG)