EXÉRCÍTOS: AS GUERRAS NA EUROPA DE 1661 A 1715 (Parte II)

quarta-feira, 3 junho, 2020

guerra de sucessão na Espanha. Imagem do google.

 

Na parte anterior analisamos a política de Luís XIV, seus métodos, diplomacia e a arte militar. Verificamos como a França organizou um exército, gigante e poderoso, que serviu de modelo para os Estados modernos. Nessa segunda parte, veremos as fortificações, seu papel, os diversos tipos de milícias, a preponderância francesa, a fraqueza espanhola, a liga do Reno e a guerra da Holanda.

As fortificações desempenharam um papel importante na estratégia da época. Serviam de pontos de apoio aos exércitos e entre postos. Assim sendo, as guerras no ocidente forma principalmente guerras de sítios. É por esse motivo que Luís XIV deu muita atenção à construção por Vauban (1631- 1707), que se tornou comissário geral das fortificações em 1677, do “cinto de ferro”. Vauban fez funcionar um sistema de fortificações rasantes menos vulnerável á artilharia e que multiplicava os fogos cruzados, que deu provas de sua eficiência de 1708 a 1712.

A organização da marinha foi obra de Colbert e de seu filho Seignelay. Graças à organização dos arsenais de Brest, Toulon e a criação do de Rochefort, e á construção de uma importante frota, a marinha francesa foi capaz durante um curto período de resistir às marinhas inglesa e holandesa. Para a tripulação, Colbert organizou um sistema de classes, predecessor da inscrição na marinha. Os homens do mar deviam servir por ordem de inscrição nos navios reais em toca do recebimento de um soldo.

Com a milícia real, as milícias locais, as milícias dos guardas costas reorganizadas em 1668, o rei pode, durante a guerra de sucessão na Espanha, ter à sua disposição mais de 400.000 homens armados.

A França não possuiu o monopólio das inovações técnicas. O exército sueco representou um modelo para os exércitos do Norte prussiano e russo. Contudo o prestígio de exército francês traduz-se pela adoção do vocabulário militar francês por todos os exércitos europeus. O final do século XVII viu o nascimento de um exército austríaco com mais de 100 000 homens (a partir da instituição em 1680 das primeiras unidades permanentes). O principal artesão foi o príncipe Eugênio de Savóia, chefe do Conselho de Guerra. A cavalaria austríaca era a melhor da Europa. O eleitor de Brandeburgo Frederico Guilerme, o Grande Eleitor, haviam se antecipado ao imperador preocupando-se totalmente com um exército permanente desproporcional em relação a importância de seus de seus Estados (até 30 mil anos). O Comissariado de Guerra reunia todas as atividades concernentes à administração do Exército: recursos financeiros, suprimentos, equipamentos. A nobreza fornecia os quadros de oficiais. Recrutaram-se os homens de acordo com o sistema sueco de cantões. Alojados pelos moradores e tendo direto de trabalharem nas manufaturas, eram rigidamente disciplinados pelos seus oficiais e capelães. Depois de 1685, os huguenotes refugiados vieram formar excelentes regimentos. O Exército russo moderno, obra de Pedro o Grande data de 1699. Todos os grandes proprietários e as comunidades de camponeses livres deviam fornecer um infante por cinquenta famílias. O serviço durava vinte e cinco anos, praticamente, por tanto, toda a vida. O Czar não hesitou em fazer apelos a oficiais estrangeiros até que as escolas militares fundadas em Moscou e São Petersburgo fornecessem oficiais russos. A frota começou a ser constituída em 1703. Nessa Europa que se arma, a Inglaterra representa um caso particular. O governo de Cromwell tornara o exército permanente bastante impopular. O exército inglês só foi importante em caso de guerra no continente ou na Irlanda. A milícia inativa depaupera-se. Em compensação, a marinha alcança mais prestígio. Os serviços controle e abastecimento, a disciplina imposta a todos fazem dela a primeira da Europa. Mas a Inglaterra não havia resolvido o problema das tripulações e recorria sempre a multidão, isto é, à requisição imediata de todos os homens de mar encontrados nos portos.

Em toda parte, o exército muda de caráter. Alimentado e vestido com mais regularidade, não conta com tantos soldados volantes e, pelo menos na França, apresenta mais desertores na medida que, aumentando os efetivos, a disciplina se reforça e são alistados mais homens sem vocação. Adquire frequentemente um caráter internacional com os soldados que trocam de exército e com a multiplicidade dos regimentos estrangeiros. Dessa forma, encontra-se regimentos suíços em quase todos os exércitos. O exército torna-se igualmente uma profissão organizada, à qual alguns soberanos conferem uma finalidade de carreira honrosa (criação dos invalides em 1670). Com o progresso da disciplina, o caráter da guerra se transforma lentamente. Destruições sistemáticas e localizadas. As pilhagens continuam como sempre, danificando, mas os massacres de populações civis tornam-se mais raros, pelo menos no Ocidente, pois as guerras contra os turcos apresentam ainda cenas que lembram a guerra dos Trinta Anos. Ao mesmo tempo, nos períodos de invasão, o exército e a guerra adquirem um novo aspecto nacional. A Europa “cobre-se de milícias”. A guerra de sucessão da Espanha foi em relação a França, uma antecipação das guerras da revolução.

A PREPONDERÂNCIA DA FRANÇA

A fraqueza do Império espanhol, a relativa ausência da Inglaterra as divisões da Europa central, o poderio real da França e o aparente do Império turco constituem os dados principais da política europeia nos primeiros vinte anos do reinado pessoal de Luís XIV. Sendo assim, era natural que a França e o Império Turco procurassem aproveitar-se dessa situação sem que houvesse aliança entre eles. Os turcos atacaram Viena por duas vezes, em 1664 e 1683. Em 1664, Luís XIV enviou reforços que contribuíram para a vitória cristã de Saint-Gothard, determinou a ocupação de Djijelli e o bombardeio de Argel e Túnia. Em 1683, temendo possibilidade de uma coalizão contra si, moderou-se.

 

A França diante de uma Europa dividida

 

No Ocidente a situação diplomática legada por Mazarino era excelente. Graças ao hábil Hugues de Lionne, a liga do Reno foi renovada e Brandeburgo a ela aderiu. A aliança com as províncias Unidas renovou-se, a Inglaterra vendia Dunquerque à França (1662). A rede de aliança englobava a Suécia, a Dinamarca e a Polônia, isolava a Espanha e paralisava o Imperador. De fato, ela era bem precária; ingleses, holandeses e alemães suspeitavam dos objetivos franceses.

A questão espanhola começou a apresentar-se com a morte de Felipe IV (1665). A coroa coube a Carlos II, uma criança doentia de quatro anos, nascido do segundo casamento do rei. No caso de morte de Carlos II, Luís XIV e o Imperador Leopoldo teriam iguais direitos a sucessão, pois eram ambos marido e filhos de infantas espanholas, sendo que o requisito de primogenitura pendia, entretanto, em favor de Ana de Áustria e de Maria Tereza.

Com o tratado dos Pirineus, Maria Teresa renunciara à sucessão, em troca de um dote de 500. 000 escudos, cujo pagamento a Espanha foi incapaz de efetuar. Os juristas franceses exumaram do direito privado dos Países Baixos um costume segundo o qual as crianças nascidas de um primeiro casamento tinham direito à sucessão de seu pai (Devolução). Luís XIV exigiu a aplicação do direito de devolução na sucessão de Felipe IV nas regiões onde o mesmo estava em vigor e reclamou e reclamou a cessão dos Países Baixos. Com a recusa da Espanha e aproveitando-se de uma guerra anglo-holandesa, as tropas francesas se apoderaram de algumas praças fortes. O imperador, nessa época às voltas com uma sublevação de grandes senhores húngaros, não podendo agir, aceitou assinar juntamente com Luís XIV, um tratado que previa a eventual partilha da sucessão na Espanha que deixaria os Países Baixos para a França (janeiro de 1668). As potências as quais juntou a Suécia (tríplice aliança de Haia), que propôs a mediação. Luís XIV mostrou-se moderado e com a paz de Aix-la-Chapelle, contentou-se com doze praças fortes nos Países Baixos, entre as quais, Lile, Doual e Tournai.

A guerra da Holanda e a primeira coalizão contra Luís XIV

A contenção aplicada pelos holandeses à política francesa destruiu a aliança franco-holandesa, tão antiga, datando de quase um século, e incitou Luís XIV a reduzir as Províncias Unidas ao seu arbítrio. Os holandeses não deparavam com muita simpatia da França. O rei e a corte detestavam esses comerciantes calvinistas e republicanos. Os comerciantes franceses encontravam holandeses em todos em todos os lugares e Colbert desejava aniquilar seu poderio marítimo e comercial.

Hugues de Lione isolou as Províncias Unidas tal como isolara a Espanha antes da guerra de devolução. Pelo tratado de Douvres, a Inglaterra volta à aliança em troca de alguns subsídios e a promessa de certos portos holandeses (1670). A Suécia fez o mesmo. Os príncipes alemães deram sua adesão (Colônia) ou sua neutralidade (Baviera e mesmo o Imperador). Todavia, Louvois organizava um exército com 120 000 homens e Colbert, uma frota com trinta navios de linha.

Os holandeses, percebendo a aproximação da tempestade, assinaram um tratado de aliança com a Espanha e Brandemburgo, sendo que este último estava preocupado com suas possessões em Clèves.  O grande pensionário Johan de Witt fez entrar para o Conselho de Estado o jovem Guilherme de Orange que era capitão e almirante-general. Mas os preparativos de defesa foram insuficientes.

Guilherme de Orange. Imagem do google

Na primavera de 1672, o exército francês atravessou, o Rio Reno em Toulhuis. Luís XIV entrou em Utrecht, mas sua incursão foi suspensa em virtude das inundações que os holandeses provocaram ao abrirem seus diques. Os Estados Gerais das províncias Unidas ofereceram a paz. Propunham a cessão das regiões da generalidade ao sul do Reno e uma grande indenização. No começo das discussões Luís XIV acedeu e exigiu mais. As condições humilhantes que propôs para a paz provocaram um sobressalto nacional. Johan de Witt, tido como o responsável pelo despreparo da defesa foi massacrado em Haia (agosto, 1672), Guilherme de Orange, nomeado statholder, empreendeu a quebra do isolamento das Províncias Unidas. O Imperador e a Espanha aliaram-se a ele, mas sem entrarem na guerra. Luís XIV compreendendo seu erro, aceitou as negociações. Reuniu-se um congresso em Colônia. Teve-se a impressão que a paz estava próxima. Todavia, os alemães estavam agitados com as ambições francesas e Luís XIV temia uma ação na Alsácia e no ducado de Lorena. A Espanha e o Imperador entenderam-se com as Províncias Unidas para assegurar a manutenção do Status quo, depois declararam guerra à França. Esta encontrava-se sozinha. A Inglaterra firmara a paz com a Holanda.

 

O interesse do conflito deslocou-se…( Continua na parte III, sábado 06/06)

veja também:

EXÉRCÍTOS: AS GUERRAS NA EUROPA DE 1661 A 1715 (Parte I)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CORVISIER, André, HISTÓRIA MODERNA, tradução de ROLANDO ROQUE DA SILVA e CARMEM OLÍVIA DE CASTRO AMARAL, 4ª edição – ed. Bertrand Brasil – Rio de Janeiro, 1995

 Exércitos europeus parte III  sábado (06/06/20).

 


OAB divulga parecer sobre inconstitucionalidade das propostas de intervenção militar constitucional

terça-feira, 2 junho, 2020

A OAB Nacional divulgou, nesta terça-feira (2), parecer jurídico que trata da inconstitucionalidade das propostas de intervenção militar constitucional. A conclusão foi pela inexistência do Poder Moderador atribuído às Forças Armadas, bem assim pela inconstitucionalidade da utilização do aparato militar para intervir no exercício independente dos Poderes da República.

O documento, preparado pela Presidência e a Comissão de Estudos Constitucionais do Conselho Federal, contesta a interpretação que tem sido aventada de que o art. 142 da Constituição Federal conferiria às Forças Armadas poder para “intervir para restabelecer a ordem no Brasil”, atuando, em situações extremas, como Poder Moderador.

O ex-presidente da OAB Nacional e presidente da Comissão Nacional de Estudos Constitucionais, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, destaca que “as forças armadas não possuem a função de interferir na harmonia e independência entre os poderes da república. As divergências e as controvérsias entre os poderes são resolvidas pelo sistema de freios e contrapesos, de controle recíproco, inexistindo, na ordem constitucional brasileira, o poder moderador”.

A argumentação leva duas considerações, “em primeiro lugar, trata-se de interpretação que se apoia em equivocada leitura da história constitucional brasileira a respeito da concepção de Poder Moderador e da interferência dos militares nos processos políticos. Em segundo lugar, a tese contraria frontalmente a Constituição de 1988, que estabeleceu um modelo institucional de subordinação do poder militar ao poder civil”.

Em uma análise histórica das constituições republicanas, o texto afirma que a interpretação das funções e das competências da Forças Armadas é a de assegurar que elas “sirvam sempre e precipuamente à Constituição, e não a qualquer governo ou agente político”.

“Não cabe às Forças Armadas agir de ofício, sem serem convocadas para esse fim. Também não comporta ao Chefe do Poder Executivo a primazia ou a exclusiva competência para realizar tal convocação. De modo expresso, a Constituição estabelece que a atuação das Forças Armadas na garantia da ordem interna está condicionada à iniciativa de qualquer dos poderes constituídos. A provocação dos poderes se faz necessária, e os chefes dos três poderes possuem igual envergadura constitucional para tanto”, destaca o parecer.

Confira a íntegra do parecer

OAB BR


De joelhos, jogadores do Liverpool homenageiam George Floyd

terça-feira, 2 junho, 2020

Liverpool divulgou uma foto em suas redes sociais, nesta segunda-feira, de seu elenco ajoelhado no gramado do estádio Anfield Road em uma demonstração de solidariedade ao movimento ‘Black Lives Matter’ (Vidas Negras Importam).

O apoio da equipe inglesa ao movimento ocorre após o sexto dia de protestos nos Estados Unidos pela morte do cidadão americano George Floyd.

A foto foi tirada a pedido dos jogadores e compartilhada em todas as redes sociais com a legenda: “A união faz a força #BlackLivesMatter”.

O apoio da equipe inglesa ao movimento ocorre após o sexto dia de protestos nos Estados Unidos pela morte do cidadão americano George Floyd.

As manifestações começaram depois que um vídeo foi divulgado, no qual George Floyd, que sofria de doença arterial coronariana e doença cardíaca hipertensiva, morreu asfixiado por um policial na cidade de Minneapolis, no estado americano de Minnesota.

O oficial, Derek Chauvin, ficou durante 8 minutos e 46 segundos pressionando o pescoço do homem negro de 40 anos com o joelho. Imagens foram divulgadas e o policial acabou demitido, acusado de assassinato e homicídio culposo (quando não tem a intenção de matar). Informações do Estadão, com agências.

http://www.interiordabahia.com.br

VEJA AMANHã ( 3 ) NO BLOG DO PROF. DESIDERIO A CONTINUAÇÃO,  PARTE II DE

EXERCÍTOS: Guerras na Europa de 1661 a 1715


Torcidas de clubes vão as ruas protestar contra o governo: ‘ô, ô, ô, ditadura acabou

segunda-feira, 1 junho, 2020

No Rio, uma torcida organizada do Flamengo foi às ruas fazer frente às manifestações. Com faixa de “democracia” e “ditadura nunca mais”, manifestantes do Flamengo ofuscaram o ato bolsonarista que aconteceu na manhã deste domingo (31) na orla na praia de Copacabana.

Atos no Rio de Janeiro convocados pela torcida do Flamengo (Imagem reprodução)

Já na Avenida Paulista, principal rua de São Paulo, torcidas organizadas do Corinthians também foram às ruas contra estímulos a manifestações pelo fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal. “Democracia corintiana”, “ô, ô, ô, ditadura acabou”, gritavam os manifestantes.

Bolsonaro já compareceu este ano a manifestações que pediam intervenção militar no governo federal. A última ameaça da família Bolsonaro partiu do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), após aliados do seu pai serem alvos de uma ação da Policia Federal contra fake news.

“Quando chegar a um ponto que o presidente não tiver mais saída e for necessária uma medida enérgica, ele que será taxado como ditador”, afirmou em seu twitter. (Brasil 247).


EXÉRCÍTOS: AS GUERRAS NA EUROPA DE 1661 A 1715 (Parte I)

sábado, 30 maio, 2020

Adaptação da Obra de André Corvisier, 1995, por prof. Desiderio de Melo

Boa leitura

Imagem do google.

 

A política externa de Luís da impressão de dominar a Europa até quase o fim do reinado. Todavia, a mudança ocorrida por volta de 1689 deveu-se não só a formação de uma coalizão contra a França, muito bem conduzida por um perigoso adversário, Guilherme de Orange, mas também por uma perturbação das relações de forças na Europa central: A Áustria, vitoriosa contra os turcos, pode contribuir para essa coalizão com o concurso de forças crescentes. Nem se deveria passar em silêncio sobre a evolução da Arte militar que possibilita a França um avanço na primeira parte do reinado de Luís XIV, e da qual os adversários tiram proveitos sobretudo a partir de 1690.

DIPLOMACIA E A ARTE MILITAR

Política e diplomacia

Em 1661 é a França que cabe a iniciativa no tocante as relações entre os Estados. Dessa forma, é justo que se indague dos objetivos da política de Luís XIV. A política de prestígio não deixa dúvida: requinte obstinado da prioridade dos embaixadores, do pavilhão francês. É igualmente uma política de segurança e de interesses.

As mais importantes anexações territoriais realizaram-se no quadro das fronteiras naturais. A criação de uma província francesa, a partir dos direitos sobre a Alsácia e Lorena, adquiridos em 1648, é característica, enquanto a anexação definitiva da Lorena, independente no concernente ao Império e não representando mais nenhum perigo para a França, é reservada para o dia em que seu príncipe a trocará por outro Estado (em 1700 é a questão de Milanês). A ideia das fronteiras naturais da França encontra-se tão difundida que os holandeses, perturbados em 1672 com a invasão, oferecem a Luís XIV, como cessão, as regiões da Generalidade situadas ao sul do Reno. A política de Luís XIV permanece muito próxima da de seus predecessores. Nada tem de sistemática. Tal como eles, Luís XIV aproveita-se das circunstâncias e os processos empregados apenas diferem em sua maior eficácia.

Diplomacia eficiente

Os soberanos mantinham embaixadores junto às cortes, grandes personalidades ou encarregados de negócios. As embaixadas começam a ser organizadas em escritórios. As mais importantes negociações passam geralmente pelos plenipotenciários. Da mesma forma, empregam-se agentes oficiais e um número considerável de espiões. A espionagem francesa mostra-se muito bem organizada, assim a contra –  espionagem que estabeleceu a “grande cífra de Luís XIV” somente interpretada no começo do século XX. Nos principais portos concentram-se consulados estrangeiros e, principalmente, consulados franceses no império turco. A compra das consciências e a exploração das paixões são impelidas por Luís XIV ao mais alto grau. Numerosos príncipes alemães, notadamente o eleitor de Brandemburgo, foram regularmente pensionados. Na Inglaterra receberam subsídios o rei Carlos II assim como influentes homens políticos, e até mesmo chefes do partido antifrancês. A Inglaterra valeu-se de instrumentos semelhantes principalmente do império depois de 1689 (futura “cavalaria de São Jorge”). Luís XIV esforçou-se para oferecer a Carlos II uma amante francesa. No domínio da propaganda, em compensação, sobressaíram – se os holandeses a quem os huguenotes forneceram uma importante rede de apoio. Negociações e operações militares são amiúde efetuadas simultaneamente tanto em período de paz, como em tempo de guerra. Raramente as relações financeiras e comerciais são interrompidas.

Luís XIV, o rei Sol, imagem do google

Os exércitos

Durante esse período organizaram-se e distribuíram-se os exércitos permanentes. A França forneceu o modelo do exército monárquico. A obra foi levada a efeito por Michel Tellier e seu filho Louvois. (Courvisier, 1995).

Administrador de ampla visão, metódico e infatigável e exigente, mesmo brutal, Louvois soube organizar um exército que ultrapassou 100.000 homens desde de 1672, quase dobrando essa cifra em 1690. Dotou-o de uma administração civil: escritórios de guerra, intendentes de exércitos encarregados da manutenção das tropas, comissários de guerra tendo principalmente por tarefa o controle dos efetivos através de “relógios”. O recrutamento fazia-se por meio de alistamento junto aos capitães que amiúde buscavam soldados tanto nos respectivos senhorios, o que dava ótimos resultados, como através de engajamento. Este último procedimento, principalmente, quando as carências aumentavam, provocavam abusos, logros, violências. Era insuficiente. Por causa disso, instituiu-se uma espécie de serviço militar. A convocação dos nobres foi abandonada depois de 1694 e as milícias tradicionais foram apenas utilizadas localmente em caso de invasão. Em compensação, em 1688, Louvois instituiu a milícia real. Novamente suprimida em 1701, tornou-se durante a guerra de sucessão na Espanha, uma reserva do exército. Cada batalhão de milícia foi anexado a um batalhão regular. Por fim, recorreu-se aos regimentos estrangeiros. Aos regimentos suíços, cujo número aumentara, somaram-se os regimentos alemães, irlandeses, italianos.

Os oficiais submeteram-se a uma estrita disciplina. Fixaram-se as normas de promoção (ordem de inscrição,1675). Os burgueses podiam torna-se oficiais comprando os cargos de capitão e os nobres abastados, os de coronel, comprando regimentos, contanto que recebessem um alvará do rei. Uma carreira paralela tornava-se possível com os cargos não venais de tenente, major, tenente coronel, cabo, porém a maioria dos generais passara para os cargos venais. Por fim, a criação da ordem de São Luís (1693) permitiu recompensar os oficiais. A infantaria adquiriu um novo aspecto quando o fuzil e a baioneta com dispositivo de fixação substituíram o mosquete e o pique (por volta de 1700). A cavalaria começou a diversificar-se com os empréstimos feitos ao exército austríaco (hussardos). Em 1668, surgiu a infantaria montada constituídas pelos dragões, cujo número cresceu rapidamente. A artilharia organizou-se em corpo autônomo: Os engenheiros, corpo de oficiais especializados, forma encarregados de construir as fortificações e dirigir os sítios, enquanto se criava o corpo de mineiros.

Cada regimento possuía um uniforme. O reino cobriu-se de uma rede de etapas que permitia o avanço rápido das tropas. Sem dúvida, o suprimento foi bastante satisfatório, no conjunto, a fim de que, nos períodos de penúria, não faltassem recrutas. Graças a organização as populações civis sofreram menos com a passagem das tropas em tempo de paz. A criação de depósitos de viveres, forragem, munições assegurou uma eficiente preparação logística das ofensivas.

Bibliografia

CORVISIER, André, HISTÓRIA MODERNA, tradução de ROLANDO ROQUE DA SILVA e CARMEM OLÍVIA DE CASTRO AMARAL, 4ª edição – ed. Bertrand Brasil – Rio de Janeiro, 1995

 Exércitos europeus parte II  quarta-feira(03/06/20).


Projeto Tamar esclarece que base em Arembepe não será fechada

sexta-feira, 29 maio, 2020

De acordo com uma nota divulgada pela instituição, a portaria publicada não se refere às estruturas do projeto

Bianca Rocha
Foto: Aurélio Nunes/bahia.ba
Foto: Aurélio Nunes/bahia.ba

 

O Projeto Tamar afirmou, em uma nota divulgada nesta sexta-feira (29), que as bases do projeto em Camaçari, na Bahia, Parnamirim, no Rio Grande do Norte e Pirambu, em Sergipe, não irão fechar, como foi afirmado em uma portaria publicada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), subordinado ao Ministério do Meio Ambiente.

Segundo a instituição, a portaria não se refere às estruturas do Projeto Tamar/Fundação Pró-Tamar localizadas nos três estados.

De acordo com o comunicado, o Projeto Tamar é uma instituição privada, sem fins lucrativos, que tem como missão proteger as cincos espécies de tartarugas marinhas que vivem nos mares brasileiros. Por cauda da pandemia, todas as atividades do projeto estão suspensas, mas a medida é temporária. As estruturas de arrecadação (centro de visitantes e lojas) também estão fechadas.

Em nota, o Ministério do Ambiente explicou que a portaria apenas tornou pública a atualização dos endereços dos centros de pesquisa e bases avançadas do ICMBio e que “as Bases Avançadas em Parnamirim/RN, em Pirambu/SE e em Arembepe, Camaçari/BA já tinham proposta de encerramento de suas atividades desde o ano passado (2019), vez que não contavam mais com servidores que realizassem as atividades finalísticas, cuja proposta foi do próprio Centro de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade do Leste – TAMAR”.

A Bahia possui quatro bases do projeto: Arembepe, Praia do Forte, Sauípe e Mangue Seco.

Do Bahia. Ba

Veja Amanha(30) aqui no blog do Professor Desiderio:

 A NOVA SÉRIE EXÉRCITOS: Guerras na Europa do século XVI


Consumo das famílias tem a queda mais intensa desde 2001, diz IBGE

sexta-feira, 29 maio, 2020

O recuo de 2% do consumo das famílias no primeiro trimestre deste ano na comparação com o último trimestre do ano passado foi a queda mais intensa desde 2001, quando houve uma crise de fornecimento elétrico, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O motivo da queda, segundo o IBGE, foi a pandemia do novo coronavírus e as consequentes medidas de isolamento social colocadas em prática por vários governos estaduais e municipais para combater a disseminação da doença.

O comportamento do consumo das famílias teve um impacto importante no Produto Interno Bruto (é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país) do trimestre, que caiu 1,5% na comparação com o trimestre anterior. O maior impacto causado pela queda do consumo das famílias foi sentido pelo setor de serviços, que responde por 74% da economia brasileira.

Entre as atividades de serviços pesquisadas, as principais quedas ocorreram nos outros serviços (-4,6%), transporte, armazenagem e correio (-2,4%), informação e comunicação (-1,9%) e comércio (-0,8%). Também houve quedas nos segmentos de administração, saúde e educação pública (-0,5%), intermediação financeira e seguros (-0,1%). O único setor com alta foi o de atividades imobiliárias (0,4%).

Além do consumo das famílias, as exportações caíram 0,9%. Essa queda da demanda também teve impactos na indústria, que recuou 1,4%. As atividades industriais tiveram as seguintes taxas de queda: setor extrativo (-3,2%), construção (-2,4%), indústrias de transformação (-1,4%) e atividade de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-0,1%).(Agência Brasil)