Brizola vive e completa 88 anos

Nascido em 1922, neste 22 de janeiro, o menino de  Cruzinha – RS que, para estudar foi engraxate, entregador de carne, carregador de malas, ascensorista e zelador, estará completando 88 anos.

                O seu ingresso na Faculdade de Engenharia e a sua convivência com colegas descendentes de famílias abastadas e politicamente conservadoras, levou o jovem idealista a abraçar os princípios sociais do trabalhismo, pregados por Getúlio Vargas e, assim participar, em 1945, da fundação do PTB no RS.

               Militante  aguerrido o então estudante de engenharia Leonel Brizola, assume o comando do movimento jovem e demonstra desde de cedo a sua capacidade de liderança, atraindo estudantes de diversas faculdades para filiar-se ao partido criado por Vargas.

              A facilidade no relacionamento e na conquista de lideranças estudantis e sindicais, contribuíram para o jovem estudante,  em 1947, aos 25 anos eleger-se Deputado Estadual com uma proposta inédita: EDUCAÇÃO PARA TODOS.

              Formado Engenheiro Civil, em 1949, o ex-engraxate casa-se, em 1950, com Neusa Goulart, irmã de João Goulart, sua companheira inseparável e, nas eleições desse ano é reeleito Deputado Estadual, sendo o mais votado do Estado.

             Nomeado Secretário de Obras Pública pelo Goveranador Ernesto Dorneles, em 1952, revelou-se excelente administrador, implantando no Estado o 1º Plano de  Obras, o que lhe valeu a eleição de Deputado Federal em 1954.

            Em 1955, aos 33 anos de idade, 20 anos depois de chegar a Porto Alegre sozinho, “sem lenço e sem documento”,o carregador de malas é eleito Prefeito da Capital do seu Estado.

            Depois de realizar uma  das melhores administrações de toda história da Prefeitura  Municipal de Porto Alegre, em 1958, aos 36 anos de idade, é eleito Governador do Rio Grande do Sul, onde executou a maior, melhor e mais profícua administração que o Estado jamais conheceu. Mudou o perfil econômico, industrial, agrícola e educacional do Estado.

           No plano político organizou, coordenou e comandou o movimento da legalidade, por ocasião da renúncia do Presidente Jânio Quadros, em 25 de agosto de 1961, assegurando a posse do vice-presidente João Goulart, vetado pelos ministros militares.

           Com a projeção nacional alcançada, pela excelente administração realizada no RS, em 1962 elegeu-se Deputado Federal pelo Rio de Janeiro com 300 mil votos, correspondente a um terço do eleitorado de Guanabara, constituindo-se na maior consagração eleitoral de um parlamentar na história do Brasil.

           Em 1964, pela sua destacada liderança  no campo da esquerda, foi incluído pelos golpistas na primeira lista  dos cassados.

           Exilado  no Uruguai, foi confinado no Balneário de Atlântida, por exigência do governo brasileiro.Em 1970 houve  relaxamento das restrições no exílio, mas em 1977, por pressão das autoridades brasileiras é expulso do Uruguai, exilando-se nos Estados Unidos, com autorização do Presidente Jimmy Carter.

          Em 06 de setembro de 1979, depois de 15 anos de exílio, Leonel Brizola retornou ao seu

Pais e fixou residência no Rio de Janeiro.

          Em 1980, depois de lhe ter sido negada pelos golpistas  de 1964, a sigla do PTB, o partido que ajudara  a fundar em 1945, em 26 de maio, ele criou o PDT – Partido     Democrático Trabalhista, pelo qual em 1982, elegeu-se Governador  no Estado do RJ.        

          Durante seu governo (1983/86) lançou uma proposta  educacional  inédita, idealizada por Darcy Ribeiro, seu vice-governador e Secretário de Educação: os  CIEPs – Centros Integrados de Educação Pública, uma escola em tempo integral.

          Construiu o Sambódromo, com o objetivo  de institucionalizar um espaço  próprio para os grandes eventos, em especial o Carnaval, além de abrigar 260 salas de aula, o maior conjunto escolar  do mundo.

         Em 1989 concorreu a Presidência da República, perdendo a eleição, no primeiro turno por uma diferença mínima para Lula, o segundo colocado que, no segundo turno,  perdeu a eleição para Fernando Collor.

         Em 1990 elegeu-se novamente, em primeiro turno Governador do RJ e, nesse governo, realizou três grandes obras: concluiu 502 CIEPs, escolas publicas de regime integral para crianças pobres, construiu a Linha Vermelha, uma via expressa com 40 km, ligando o centro do Rio ao Aeroporto Internacional do Galeão, terminando na baixada Fluminense e a duplicação do sistema  de água do Guandu, assegurando o abastecimento  á população até 2020.

         Em 1994  concorreu  novamente a Presidência e, mais uma vez foi  derrotado por um candidato da elite, o sociólogo Fernando Henrique Cardoso.

         Em 1998 conseguiu unir os partidos de esquerda PT, PDT, PSB, PCB e PCdoB e numa demonstração inequívoca de humildade, aceitou ser candidato a vice presidência, tendo como candidato a Presidente, o Presidente Lula e mais uma vez a elite reelege Fernando Henrique Cardoso.

        O último evento público do líder trabalhista ocorreu na sede da Força Sindical, em São Paulo, nos dias 4 e 5 de junho de 2004 por ocasião de um encontro nacional do PDT onde foi tirada a Carta de São Paulo, apontando a linha política do partido:

“Nossa vocação para a paz nos impõe a construção de um outro destino, com a restauração do projeto nacional de Getulio Vargas, combatendo a desigualdade,  o preconceito, a violência, a corrupção e o crime organizado. Isso se faz com amor e muito trabalho. São esses, o cimento e a pedra com os quais construiremos nossa grande nação, próspera, pacífica e humana”.

      O senador Cristovam Buarque lembrando a ausência e a falta que faz Brizola no cenário político, assim se manifestou:

        “Medimos os grandes políticos pela presença deles no cenário nacional quando estão vivos, mas medimos a importância dos maiores de todos pela ausência deles. E Brizola foi um político de presença firme ao longo de todas as décadas de sua atividade política. Ele nunca esteve discreto na vida publica brasileira. Sempre teve um lado claro, firme, em defesa da Nação brasileira, em defesa dos trabalhadores brasileiros, em defesa da democracia no Brasil.

          Brizola faz falta a esse mundo em que, aparentemente, não há bandeiras claras, nítidas.Ele carregava em si uma bandeira. Ele falava com uma posição, com um lado, com uma nitidez de princípios e de propostas, sem esse furta-cor que hoje caracteriza as bandeiras dos partidos no Brasil. Brizola faz  falta na soberania nacional, na nitidez de posições que digam: existe um lado, e existe outro lado, não esse meio-de-campo em que todo mundo hoje está se misturando.

          Brizola faz muita falta, sim, porque era a voz, respeitada nacionalmente, capaz de colocar no cenário nacional a prioridade radical pela educação. É diferente o discurso que poe essa bandeira  na boca de outros ou na boca do grande Leonel Brizola, até porque ele, fez esse discurso cinqüenta anos atrás.

          Hoje, no momento em que o grande capital é o conhecimento, no momento em que a base do progresso é a educação, a fala de Brizola estaria incendiando este Pais por uma revolução. Brizola está fazendo falta, porque ele criou, há muito tempo, a verdadeira escola, que era o Centro Integrado de Educação Pública (Ciep): a escola de horário integral. Mas ele falou tão na frente, tão adiantado, que não conseguiu levar isso para o Brasil inteiro.

       O grande Brizola faz falta no momento em que as leis trabalhistas exigem alguns ajustes, mas não podem ser ajustes contra os interesses dos trabalhadores.Ele faz falta porque a voz dele seria a melhor para dizer que aqui estão as mudanças que podemos fazer, aqui está o limite além do qual  a gente não vai, aqui está a maneira de mudar as leis, melhorando-as, não prejudicando os trabalhadores.

        Ele está fazendo falta, nesse momento, porque a voz dele daria uma força, uma credibilidade que nenhum de nós, políticos ainda vivos, temos.

        E é isso que faz dele político maior, porque o grande político se dá na presença, mas o político maior se dá no sentimento de sua ausência. Brizola tinha princípios, a historia dos princípios, a palavra dos princípios, a cara de princípios. Por isso, faz falta.

        Brizola faz uma profunda falta também neste momento do vazio ideológico que vive a política no Brasil porque ele nunca foi contaminado por uma outra ideologia. Ele construiu sua ideologia. Ele foi capaz de não cair nos “ismos” e criar o trabalhismo junto com  Getulio, com Jango, com Pasqualini e com outros, mas a linha dele não seria afetada pelo debacle que agente viu da maneira como socialismo era feito.

        Por isso, ele fez falta imensa nesse vazio de bandeiras, nesse vazio de ideologia, porque ele tinha a sua. E a sua, felizmente, deixou seguidores e mesmo aqueles que não são os seus seguidores são pessoas que respeitam aquilo que ele fez, aquilo que defendeu.

 Viva Brizola, pelo seu tamanho em vida e pelo sentimento de ausência que ele nos passa!”

 

 Salvador, 20 de janeiro de 2010

 

 Hari Alexandre Brust

Presidente

 

 

 

 

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