Bahia: das mudanças lentas as transformações possíveis (Parte XV)

quarta-feira, 11 julho, 2018

 

CAMPNHAS PATRIÓTICAS

Eleitos em outubro de 1950, Getúlio Vargas, presidente da República, e Luís Regis Pacheco Pereira, governador da Bahia, tomaram Posse em janeiro de 1951 sob expectativas cautelosas e oposições declaradas.

O candidato Getúlio Vargas fizera campanha eleitoral declarando que “o povo brasileiro” ia subir as escadarias do Catete com ele. Na mesma vertente populista prometeu retomar a concessão de direitos para os trabalhadores, ampliar os benefícios dos Institutos de Assistência e Pensões (IAPs), aumentar o valor do salário mínimo, combater a carestia de vida e patrocinar o desenvolvimento econômico do país. A UDN impugnou a sua eleição e pediu ao Tribunal Superior Eleitoral que a  anulasse alegando que o número de votos dados a Getúlio Vargas não atendia à exigência constitucional de maioria absoluta. Eleito com 48% do total dos votos, O Tribunal Superior Eleitoral julgou que a Constituição fora atendida e recusou a petição. Político filiado a UDN, o jornalista Carlos Lacerda escreveu no seu jornal, Tribuna da Imprensa: “ O Sr. Getúlio Vargas, senador, não deve ser candidato à Presidência. Candidato não deve ser eleito. Eleito, eleito não deve tomar posse. Empossado, devemos recorrer a revolução para impedi-lo de governar”. Nesse mesmo diapasão ocorreram repetidos boatos de golpes contra a posse de Getúlio Vargas na Presidência da República. Cresceram e desapareceram com as declarações legalistas das autoridades do Exército, Marinha e Aeronáutica. Registre-se que elas correspondiam a uma correlação de forças expressa no sucesso da campanha O petróleo é Nosso, em todos os estados do país desde 1948.

O Petróleo é Nosso

O Petróleo é Nosso ganhou as ruas, praças, salões de conferências e plenários da Câmara Federal e Assembleias Legislativas, com a participação de personalidades da política e da cultura e oficiais militares de alta patente. Tinha-se a expectativa de que a exploração industrial do petróleo brasileiro seria o grande incentivo para o desenvolvimento econômico do país. As possibilidades de produção dos poços já abertos na Bahia se afirmavam com o trabalho do Conselho Nacional do Petróleo. A descoberta do poço de água grande, no município de Catu, revelou uma produção de setecentos barris por dia, dado promissor de novas descobertas de poços ainda mais produtivas.

Em dezembro de 1951, o governo Vargas enviou a Câmara Federal um projeto de lei criando uma empresa petrolífera de capital misto. Chamar-se ia Petrobras. Essa proposta dividiu o país em duas posições. Uma defendia a empresa mista prevista no projeto, mas sob o monopólio do Estado na descoberta e perfurações dos poços. As refinarias e a comercialização dos produtos do ouro negro continuariam com as empresas privadas. A outra posição desejava o monopólio estatal em todas as etapas da produção. Foi esta a que se estabilizou no projeto que criou a Petrobras, aprovado em outubro de 1953.

Coréia

A outra campanha foi contra o envio de soldados brasileiros para a guerra na Coréia, episódio quente na Guerra fria entre os países capitalista e a União Soviética. Com o Slogam “Os soldados, nossos filhos, não irão para a Coréia”, essa campanha ganhou praças e ruas dos maiores centros urbanos do pais e deteve negociações dos Estados Unidos com o governo Vargas para participação do Brasil na guerra da Coréia. Esse bom resultado produziu equívocos e leitura ideológicas conflituosas nas camadas sociais mais fechadas do pais. Políticos, comerciantes, industriais, banqueiros, e militares enxergavam “comunismo” em qualquer ato público de protesto ou tentativa de mudança que partisse de algum setor do governo Vargas. Estavam particularmente contra a atuação do político do PTB gaúcho João Belchior Marques de Goulart no Ministério do Trabalho, que consideravam “perturbadora da paz social” por causa da cobrança que fazia de novos direitos para os trabalhadores e de reajuste do salário mínimo. Um veto de coronéis do Exército o retirou do cargo. Procurando se compor com os militares, o presidente Vargas consentiu que realizassem inquéritos policiais (IPMs) destinados a identificar “infiltração comunistas nas forças armadas”.

Esses inquéritos se inauguraram na Bahia em junho de 1952 com o sequestro do escritor, comerciante e ex-marinheiro João Palma Neto, em sua empresa comercial. Foi levado para o forte do Barbalho, onde permaneceu duas semanas nu e sob constrangimento físico. Foi solto por ordem direta do comandante da 7ª RM, general Hasketh Hall, que se convenceu do absurdo da prisão. Ao ser libertado, Palma Neto tinha perdido 17 quilos. Alguns dias depois de ele sair d prisão ocorreu o sequestro de um jovem de 19 anos de idade, estudante de engenharia civil, dentro de um ônibus, por cinco desconhecidos. Preso no forte do Barbalho, colocaram-no despido num círculo de soldados que o imobilizaram com a ponta das baionetas. Permaneceu assim durante 24 horas de interrogatórios que procuravam obriga-lo a confessar a existência e localização de células do partido comunista nos quartéis. Também foi ameaçado de ser jogado no mar no decurso de um voo entre Salva dor e Aracaju. Episódios como esses se repetiram no país e conduziram o governo à decisão de acabar com os IPMs que tantas vítimas fizeram.

 

 

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foto google: Campanha o Petróleo é Nosso: Vargas com a mão pintada de petróleo

Fonte bibliográfica

Luís Henrique Dias Tavares, em Histórias da Bahia, salvador: editora UNESP, 2006.

Não deixe de ler a Parte XVI, continuação ( publicação no sábado 14/07/2018). Aqui no Blog do Prof. Desiderio

 

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PT e PDT disputam aliança com PSB

quarta-feira, 11 julho, 2018

Petista Gleisi Hoffmann e o pedetista Ciro Gomes ampliam as concessões

Jornal do Brasil KATIA GUIMARAES, katia.guimaraes@jb.com.br

Ontem, Ciro e o presidente do PDT, Carlos Lupi, estiveram com o governador de São Paulo, Márcio França (PSB), que concorre à reeleição e já acenou um apoio ao pedetista, pois o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), também presidenciável, está no palanque do ex-prefeito João Dória (PSDB) na disputa paulista. O que tem facilitado o acerto entre PDT e PSB é que ao priorizar a eleição de Ciro, os pedetistas concordam em abrir mão de candidaturas estaduais. Um exemplo disso é o Espírito Santo, onde o PDT pode apoiar a eleição do ex-governador Renato Casagrande (PSB), o que é importante para o PSB que tem como meta eleger 10 governadores e aumentar a bancada federal para algo entre 35 e 45 deputados.

Paulo Câmara, governador de Pernambuco, e Marcio França, governador de São Paulo, concorrem à reeleição e têm influência na decisão do PSB

Em outra frente, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR), conversou ontem por meio de videoconferência com as direções estaduais petistas e se reuniu com o presidente do PSB, Carlos Siqueira. Hoje, ela estará em Pernambuco para encontrar a pré-candidata ao governo, vereadora Marília Arraes (PT), apontada como preferida de Lula. E, amanhã, Gleisi irá tomar café com o governador Câmara. O PT do estado quer Marília candidata, mas a prioridade da legenda é a aliança em torno do ex-presidente Lula na disputa nacional.

Para o PSB, no entanto, apoiar apenas Paulo Câmara não seria suficiente para uma aliança nacional. Por outro lado, o PSB pernambucano já aderiu a Lula, mesmo que a maioria dos dirigentes estaduais do partido tenha externado a tendência de apoiar Ciro por considerar a aliança mais vantajosa. Outra dificuldade é Minas Gerais, onde Fernando Pimentel (PT) disputa a reeleição e o ex-prefeito Marcio Lacerda (PSB), cotado como um dos nomes para vice na chapa de Ciro Gomes, disputa o governo. Ali, o PT pleiteia o apoio do PSB e defende que França saia ao Senado.

A convenção do PDT será no dia 20 de julho, mas a legenda pode homologar o nome de Ciro e deixar para a Executiva a inclusão de mais partidos na coligação e a escolha do vice. Segundo o líder do PDT na Câmara, André Figueiredo (CE), as conversas com o PSB estão avançando. “Quaisquer entraves a nível regional estão sendo superados, temos tido excelente diálogo entre os dois presidentes [Lupi e Siqueira], as bancadas estão completamente harmonizadas, mas evidentemente a gente aguarda a decisão do PSB de que realmente vem”, afirma. Já o PSB pode decidir até o dia 20, quando começam as convenções, qual caminho trilhar. Mesmo com a convenção nacional marcada só para 5 de agosto, a legenda deve indicar o seu destino nas reuniões da Executiva e do Diretório que ocorrerão nos próximos dias.


Bahia: das mudanças lentas as transformações possíveis (Parte XIV)

sábado, 7 julho, 2018

Governo Mangabeira

      A 10 de abril de 1947 o governador Otávio Mangabeira tomou posse do governo de um estado da Bahia pobre, atrasado e ferido por sucessivas interventorias do Estado Novo, das quais a única que experimentou tímido programa nas áreas de educação e agronomia foi a de Landulfo Alves de Almeida. Faltava carne na cidade do Salvador. A carestia de vida era enorme. A economia baiana mais atuante era a do cacau. Ela fornecia porém “mais divisas ao país” do que a Bahia, dependendo do mercado externo e sofria com a legislação tributária federal. Faltavam escolas, hospitais, estradas de rodagem, portos marítimos e fluviais, navios e estradas de ferro.

Surpreso com o que encontrava, o governador Otávio Mangabeira suspeitou da existência de um “enigma baiano”. Indicou o economista Inácio Tosta Filho para estudar esse “enigma” e propor um plano de desenvolvimento para o estado. Abriu inquérito para identificar a situação da energia elétrica, há anos sob exploração de uma empresa privada estrangeira que nada acrescentara a um sistema antigo e sucateado. Criou uma Comissão Estadual de Preços, ligada à Secretaria de Agricultura. Recuperou o velho matadouro do Retiro e colocou em ação o matadouro do porto de São Roque.

Uma das situações mais traumáticas que o governo Mangabeira encontrou foi a crise urbana na cidade do Salvador, provocada pela migração de milhares de famílias do interior do estado para a capital, fenômeno causado pela concentração da propriedade da terra e a falta de presente e futuro para os que trabalhavam. As invasões em áreas desocupadas resultaram no movimento migratório. A primeira foi o Corta Braço, no bairro da Liberdade. Seguiu-se a área alagada da Massaranduba, a margem do Caminho de Areia, hoje Avenida Tiradentes. Aí se formou a Vila Rui Barbosa. Depois de um período de conflitos entre invasores e polícia, o governo Mangabeira concordou em desapropriar, “por motivo social”, as terras invadidas.

Anísio Teixeira na Educação da Bahia

Declaradas acima dos interesses políticos, ausente portanto dos compromissos eleitorais com os partidos que apoiavam o governo, a Secretaria de Educação e Saúde foi entregue ao educador Anísio Teixeira. O governador Mangabeira o convocou para exercê-la quando ele se encontrava em missão internacional na UNESCO, planejando com outros técnicos a melhor educação para o mundo pós-guerra. Auxiliado na parte de saúde pelo médico José Silveira, Anísio Teixeira inaugurou na Secretaria de Educação um período de inovações e realizações que mudaram substancialmente o quadro educacional da Bahia. Em um ano de governo estavam em construção 258 novos prédios escolares. Símbolo do ensino secundário em todo o estado, o centenário Ginásio da Bahia, sucessor do Liceu Provincial, cresceu para cinco novos centros: Central, Liberdade, Itapagipe, Nazaré e Brotas.

Anísio Teixeira partiu dos primeiros resultados positivos de sua administração para a inovação criadora dos Centros Educacionais Integrados em Escolas Classes e Escolas Parques. Em quatro anos de Trabalho, passaram a existir na Bahia escolas de nível elementar, ginásios e colégios de nível secundário que se distanciavam dos anteriores não só em instalações, prédios e salas de aulas, mas sobre tudo no professorado concursado em títulos e provas orais e escritas, em boa parte diplomados pela faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Jovem Universidade Federal da Bahia. Quase no fim do governo Mangabeira já existia o Centro Educacional Carneiro Ribeiro, com duas Classes, estando a primeira Escola Parque do Brasil em construção no Bairro do Pau miúdo.

Cultura

É de todo necessário destacar que o governo Mangabeira foi o primeiro a realizar uma política de apoio e incentivo à Cultura na Bahia. Foi para realiza-la que Anísio Teixeira criou um Departamento na Secretaria de Educação. Em pouco tempo, ele se tornou o grande centro de apoio e inovação para às artes plásticas, música, o teatro, o cinema e a literatura baiana. Ajudou o curso de formação de bibliotecárias que deu origem à faculdade de Biblioteconomia da Universidade da Bahia. Patrocinou o I Salão Baiano de Belas- Artes e dessa forma inaugurou nacionalmente os artistas plásticos Genáro de Carvalho, Jenner Augusto, Mario Cravo e o Pintor argentino Carybé. Músicos de fama internacional estiveram na Bahia contratados pela Sociedade de Cultura Artística do Brasil (SCAB), dirigida pela artista Alexandria Ramalho. Inspirada em famoso livro do escritor Monteiro Lobato, a peça musical do teatrólogo Adroaldo Ribeiro Costa, Narizinho, foi encenada com enorme sucesso e presença do criador da literatura infanto-juvenil brasileira. O Clube de Cinema iniciou suas atividades sob a orientação do crítico de cinema e escritor Walter da Silveira. Por iniciativa do poeta Cláudio Tuiuti Tavares, do escritor Carlos Vasconcelos Maia  e do jornalista Alfredo Darwin Brandão, surgiu a revista Caderno da Bahia. Em abril de 1950, o governo patrocinou o III Congresso Brasileiro de Escritores, que reuniu na Cidade do Salvador grandes nomes da literatura brasileira.

Contradições

Apesar desses aspectos positivos, o governo Mangabeira conheceu graves episódios políticos, dentre os quais se destacam o empastelamento do jornal diário O Momento e a repressão policial ao comício de 28 de fevereiro de 1948 na Praça da Sé em protesto pela cassação dos parlamentares comunistas na Câmara e no Senado, Assembleias Legislativas e Câmaras municipais. Elas ocorreram na sequência de atos arbitrários e antidemocráticos que se desdobraram no governo do presidente general Eurico Gaspar Dutra. O comício foi convocado por sindicatos e organizações populares dias após as cassação do mandato dos deputados Jaime Maciel e Giocondo Dias. Avisada pelos convites distribuídos nas ruas e portas das fabricas, a polícia ocupou o centro da cidade do Salvador a partir das primeiras horas da tarde. Não permitia o menor agrupamento de pessoas da praça Castro Alves até a Praça da Sé. Às 17 horas do Sindicato dos Bancários, da Associação Feminina, da Associação dos Moradores do Corta Braço e outras, tentaram romper o bloqueio policial nas ruas Chile, Ajuda, dos Capitães, Ladeira da Praça, Cruzeiro do São Francisco e Terreiro de Jesus. Cerca das 18 horas, um carro entrou na Praça da Sé conduzindo o deputado Giocondo Dias, principal orador do comício. Logo em seguida, o delegado auxiliar o procurou para comunicar que a proibição partira diretamente da Presidência da República. As policias civil e militar estavam ali para cumprir essa ordem antes que sucedesse algo pior. Nesse instante apagaram-se todas as luzes da praça e das ruas adjacentes e começou cerrado tiroteio, do qual saiu ferido o deputado Giocondo Dias e morto um jovem bancário.

Ao voltarem as luzes, o carro tinha desaparecido com o deputado e a polícia realizava prisões indiscriminadas de estudantes que saiam da Biblioteca Pública, jornalistas que atendiam tarefas dos deus jornais, bancários, funcionários públicos e comerciários que voltavam para casa e simples pedestres, conduzindo-os presos e sob espancamento para o prédio da Secretaria da Segurança Pública, na Praça da Piedade. Foram libertados na manhã do dia seguinte por ordem do governador Otávio Mangabeira.

Foto: Prof. Desiderio de Melo diretor geral do IAT entre 2017 e 2018

 

Foto google: Instito Anísi Teixeira, IAT, Salvador, patrimônio dos educadores da Bahia e dos baianos, está fazendo 35 anos a serviço da Educação

 

 

Fonte bibliográfica

Luís Henrique Dias Tavares, em Histórias da Bahia, salvador: editora UNESP, 2006.

Não deixe de ler a Parte XIV, continuação ( publicação na quarta-feira 11/07/2018). Aqui no Blog do Prof. Desiderio

 


É preciso eleger propostas e ideias que tenham força no povo, afirma Ciro Gomes

quinta-feira, 5 julho, 2018


Por Silmara Cossolino

Ciro Gomes participou na tarde desta quarta-feira (4), em Brasília, da sabatina com pré-candidatos à Presidência da República promovida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Além de expor a situação atual do País, o pré-candidato à Presidência da República pelo PDT também teve a oportunidade de propor ideias para recuperar a economia brasileira.

Para Ciro, não existe caminho possível para retomada da economia e da geração de empregos que não passe pelo fortalecimento da indústria nacional. Durante sua apresentação, ele voltou a falar sobre a necessidade de um projeto nacional de desenvolvimento. De acordo com ele, é preciso associar um governo forte com um empresariado energizado e convergente com o processo desenvolvimentista.

“Nós precisamos devolver ao imaginário brasileiro a ideia de projeto nacional de desenvolvimento. Projeto supõe que o País deveria se dedicar a planejar, não quer dizer dirigismo estatista. Quer dizer o seguinte: qual é a nação, qual é a empresa, qual é o setor que reage ao dia a dia para ter um plano estratégico? Qual a visão estratégica que temos?”, questionou.

Citando países da Europa mediterrânea, o pedetista disse ser “inadiável” a ideia de um projeto de desenvolvimento.

“Eu imagino que nós deveríamos ter a tarefa audaciosa de eleger um país tipo França, tipo Itália, tipo Espanha e afirmar, sob o ponto de vista de indicadores socioeconômicos, que o Brasil quer ser uma França, uma Itália, uma Espanha, num universo estratégico de cinquenta anos. E então, tiramos o que seria o ponto de partida daqui”, mencionou.

Para o presidenciável, é preciso ainda entrar numa dinâmica da elevação da formação bruta de capital doméstico. Disse que, ao contrário do mito, não é o espontaneísmo que gera o alto nível de formação bruta de capital, mas sim arranjos institucionais que a política faz ou deixa de fazer. Trata-se, na prática, segundo ele, de como se desenha o sistema previdenciário, o tributário e como se organiza o mercado de capitais.

“É preciso associar um governo forte, democraticamente falando, com um empresariado forte, energizado, convergente com o processo desenvolvimentista que celebrarmos, e por fim, precisamos fazer uma aposta de investir em gente”, disse. “Mais do que tudo, precisamos eleger ideias, propostas que tenham força no povo. O tempo da reforma são os seis primeiros meses”, afirmou, caso seja eleito presidente da República.

http://www.pdt.org.br


Bahia: das mudanças lentas as transformações possíveis (Parte XIV)

quarta-feira, 4 julho, 2018

 

A Constituição de 1947

      A Constituição de 1947 não foi promulgada a 2 de julho, como desejavam os constituintes, por causa das quatrocentas emendas apresentadas. Foi promulgada a 2 de agosto. A terceira Constituição do estado da Bahia consagrou o princípio federativo e repetiu a divisão autônoma e harmônica entre os poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Estabeleceu a representação proporcional, um deputado para cada 125 mil habitantes até o limite de sessenta representantes e a eleição simultânea do governador e dos deputados federais e estaduais a cada quatro anos.

O Poder Judiciário ficou definido em

  1. Tribunal de Justiça, composto de quinze desembargadores.
  2. Juízes de Direito, maiores de 25 anos de idade.
  • Pretores, por concurso, maiores de 21 anos.
  1. Conselho de Justiça Militar.
  2. Tribunais do Júri.
  3. Juízes de Paz, com jurisdição nos distritos, por dois anos.
  • Tribunais de Juízes, criados por lei.

O Ministério Público destinava-se à defesa das leis e de sua execução. Seria presidido por um procurador geral da Justiça indicado pelo governador e aprovado pela Assembleia Legislativa. Haveria um promotor em cada comarca.

O artigo 89 restabeleceu o Tribunal de Contas e lhe deu atribuições. Tinha sido dissolvido pelo interventor federal Pinto Aleixo .

Item de especial importância foi a organização municipal (Artigos    93 e 95). A Constituição estabeleceu eleição simultânea para prefeitos e vereadores, a cada quatro anos. Determinou oito vereadores por município com menos de 25 mil habitantes e doze para os que tiverem de 25 mil a 70 mil.

Caberia ao Estado intervir na ordem econômica (Artigo108).

A superintendência e administração do Conselho Estadual de Educação ficaram disciplinados no Artigo 117, Título V, Capítulo II. O Conselho seria composto de seis membros e um presidente, nomeados pelo governador, com aprovação de dois e dois anos, pelo terço. O secretário de Educação seria o presidente do Conselho, que elegeria, em lista tríplice, o diretor de educação e cultura (item III, parágrafo 4 e 5).

Foi criado o Fundo de Educação (Artigo 119, parágrafo 2º do item III), a ser mantido com dotações orçamentárias do Estado e dos municípios e adesão de quantos desejassem.

A Constituição tinha 124 artigos, mais 37 do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias, cujo Artigo 2º estabeleceu o mandato do futuro governador: iria de 31 de janeiro de 1951 a 7 de abril de 1955. Os prefeitos poderiam expedir decretos-lei até a instalação das Câmaras Municipais. O Artigo 29 extinguiu o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS).

 

 

Foto google: Memorial governador Regis Pacheco, Praça Trancredo Neves, Vitória da Conquista- Bahia

 

 

Fonte bibliográfica

Luís Henrique Dias Tavares, em Histórias da Bahia, salvador: editora UNESP, 2006.

Não deixe de ler a Parte XV, continuação ( publicação no sábado (07/07/2018). Aqui no Blog do Prof. Desiderio

 


Ciro minimiza conflito em aliança com direita: ‘Olhar pra frente’

segunda-feira, 2 julho, 2018

Ele considera que alianças podem transformar as promessas em compromissos verdadeiros

Juliana Almirante / Matheus Morais
Foto: Reprodução/ Facebook
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O pré-candidato à presidência Ciro Gomes (PDT) minimizou, em conversa com a imprensa, durante os festejos do Dois de Julho, um possível conflito em ser sondado por partidos de esquerda e de direita, para alianças ao pleito de outubro.

“Se olharmos para trás é uma contradição inexplicável, mas o Brasil precisa olhar pra frente e eventuais entendimentos devem ser feitos a luz do olhar o povo, com toda transparência e ao redor de compromissos que basicamente foquem naquilo que o povo brasileiro precisa: recuperar as condições de crescimento da economia”, afirmou.

“Nós temos 13 bilhões e 700 mil desempregados. Mais de 32 milhões de brasileiros na informalidade. A saúde virou um pânico para o nosso povo. A violência banalizou-se de um jeito até a impotência da autoridade. Eu estou desenhando esse projeto”, completou.

Foto: Reprodução/ Facebook

Ele considera que o melhor seria se eleito no primeiro turno, mas acredita no poder das alianças para poder concretizar as mudanças. “Portanto tem que fazer eleição olhando para o dia seguinte, para poder transformar as promessas e esperanças que você está semeando no coração de um povo machucado em compromissos verdadeiros. Isso exige reforma que obrigue você a dialogar com quem quer que o povo eleja”, avalia o pedetista.

Ciro pondera que está mais próximo do PT, por conta de alianças no passado, mas reitera a necessidade de pensar no futuro. “Acho que o brasil está vivendo o fim de ciclo. E com o que aconteceu com Lula minha responsabilidade cresce muito, porque hoje a ameaça sobre o brasil é um pulo no escuro do fascismo, do ódio na política, do extremismo, e não podemos deixar o brasil numa crise dramática como essa dar um salto no abismo como esse”, disse.

O presidenciável foi para a festa da Independência da Bahia mesmo com o pé machucado e acabou “encurtando” o trajeto de carro.

http://bahia.ba/eleicoes2018/ciro-minimiza-conflito-em-alianca-com-direita-olhar-pra-frente/

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Jutahy Magalhães revela convite para Lídice compor chapa: ‘Se vier, se elege’

[Jutahy Magalhães revela convite para Lídice compor chapa: 'Se vier, se elege' ]

02 de Julho de 2018 às 09:13 Por: Alexandre Santos/BNews Por: Redação BNews*01comentários

O deputado federal Jutahy Magalhães Júnior (PSDB) revelou, durante o desfile que celebra o Dois de Julho, ter convidado a senadora Lídice da Mata (PSB) para compor a chapa de José Ronaldo (DEM), pré-candidato ao ao Palácio de Ondina. Segundo o tucano, o descarte na composição do governo foi antecipado para a “amiga de muitos anos”.

“Eu disse a ela: acredito que muito provavelmente você não participará da chapa do governo. Foi feito uma montagem na arquitetura do governo que sua personalidade não será suficiente para esta composição que foi traçada”, contou.

“Se você vier para nossa chapa, eu não sei se eu me elejo. Mas tenho certeza que você se elege”, afirmou Jutahy, sobre o convite para Lídice integrar o seu grupo nas próximas eleições.

Com informações do repórter Alexandre Santos


Bahia: das mudanças lentas as transformações possíveis (Parte XIII)

sábado, 30 junho, 2018

ELEIÇÃO DA CONSTITUINTE BAIANA E DO GOVERNADOR OTÁVIO MANGABEIRA

 

Promulgada a Constituição, e juntamente com ela o ato das disposições Transitórias, em respeito ao que determinava o artigo 11, foram convocadas eleições Assembleias constituintes e  estaduais, governadores dos estados, senadores e deputados federais em número que completasse as bancadas dos estados na Câmara e ao Senado Federal. A Bahia elegeria sessenta deputados constituintes, o governador constitucional, um terceiro senador e mais um deputado federal. Marcadas para 120 dias após a promulgação da Constituição, essas eleições foram realizadas a 19 de janeiro de 1947.

A Bahia conheceu três interventores federais antes dessas eleições. O primeiro, foi o ministro João Vicente Bulcão Viana, baiano de São Francisco do Conde e radicado no Rio de Janeiro, onde exerceu os cargos de auditor da Marinha, procurador geral da Justiça Militar e ministro do Supremo Tribunal Militar, com honras de general. Estava na reserva quando foi nomeado pelo presidente José Linhares interventor federal na Bahia, conforme o esquema do “governo dos magistrados”. Governou de 8 de novembro de 1945 a 19 de fevereiro de 1946. Seguiu-se a ele o antigo deputado classista Guilherme Carneiro da Rocha marback, Tabelião de notas do 4º Ofício, professor do ensino superior, político e deputado eleito para a Constituinte. Não cumpriu o mandato legislativo para aceitar a nomeação de interventor federal feita pelo presidente Eurico Gaspar Dutra. Era membro do Diretório do PSD baiano, mas lutas internas nesse partido encurtaram sua interventoria. Ficou de 20 de fevereiro a 26 de julho de 1946, e foi substituído pelo comande da 6ª RM, general Cândido Caldas. Seria mais um indicativo da distância que o presidente Dutra estabelecia para os políticos e, antes que aos políticos, aos partidos, preferindo governar com o dispositivo militar.

A Constituição de 18 de setembro estabeleceu uma nova realidade institucional e política, as eleições marcadas para governador do estado e deputados estaduais constituintes. Elas continuariam o processo de construção do estado democrático no país, razão maior para que os partidos apresentassem os seus candidatos no prazo legal estabelecido. Dividido entre a facção do ex-interventor Guilherme e Marback e a do senador, ex-interventor e general Renato Onofre Pinto Aleixo, o PSD baiano abriu a questão da candidatura ao governo do estado da Bahia com as declarações do senador Pinto Aleixo e do Deputado federal Tarcílo Viera de Melo favoráveis ao candidato que a UDN indicasse, fosse ele o deputado federal e coronel Juracy Magalhães ou o presidente nacional da UDN, o velho político e deputado federal Otávio Mangabeira. Havia nisso hábil manobra política. Surpreendido com a iniciativa daqueles até aí considerados herdeiros do Estado Novo e adversários naturais da UDN e dos Udenistas, Juracy Magalhães dispensou a sua candidatura e apoiou Otávio Mangabeira. Era o que os pessedistas queriam.

O candidato do PTB foi o antigo político severinista dos anos 20 e, após a revolução de 1930, juracisista, Antônio Garcia de Medeiros Neto. Embora fosse estreitamente ligado a Juracy Magalhães na Interventoria e no seu governo constitucional, dele se afastou ao aderir ao golpe de 10 de novembro e tornar-se alto funcionário do Estado Novo. Nos discursos de campanha, defendeu o ex-presidente Getúlio Vargas das acusações que os udenistas lhe faziam e exaltou a legislação trabalhista que o ditador criara.

Realizadas as eleições a 19 de janeiro, Otávio Mangabeira foi eleito governador 211.121 votos, contra 92.629 dados ao candidato do PTB, Medeiros Neto, que todavia venceu na capital do estado: Medeiros Neto, 28.823; Mangabeira, 21. 596. Pela legenda PSD foi eleito senador Antônio Pereira Moacir. Para a vaga a Câmara Federal, outro pessedista, João Pacheco de Oliveira. Também foram eleitos os sessenta deputados que compuseram a Assembleia Legislativa com função constituinte em 1947. Diplomados a 29 de março e empossados a 7 de abril, for maram a seguinte bancadas:

UDN, 27 deputados da coligação Democrática Autonomista;

PSD; 20 deputados;

PTB, 07 deputados;

PR, 03 deputados;

PCB, 02 deputados, e;

PRP, um deputado.

foto google: Otávio Mangabeira, político baiano, deputado, constitucionaliata, governador, ministro de Estado e senador: o incorruptível

 

 

Fonte bibliográfica

Luís Henrique Dias Tavares, em Histórias da Bahia, salvador: editora UNESP, 2006.

Não deixe de ler a Parte XIII, continuação ( publicação no sábado (04/07/2018). Aqui no Blog do Prof. Desiderio

 

BAHIA:  Ciro Gomes participa do Desfile do 2 de Julho

Pré-candidato à Presidência pelo PDT, Ciro Gomes acompanhará a programação do 2 de Julho em Salvador. Viajando por todo o país para participar de eventos, palestras, debates e entrevistas diversas, Ciro fez questão de acompanhar os festejos da grande data cívica da Bahia. Às 7h, estará disponível para entrevistas à imprensa, na famosa Praça da Soledade.

http://www.correiofeirense.com.br